PORTAL BOLETIM JURÍDICO                                        ISSN 1807-9008                                        Ano VIII Número 650                                        Brasil, Uberaba/MG, quarta-feira, 08 de setembro de 2010

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Morte de uma tragédia anunciada

 

 

 

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Não foi a primeira e, lamentavelmente, não será a última vitima da violência que cerca o mundo do futebol. Alvo de um disparo equivocado faleceu o italiano Gabriele Sandri, torcedor nada fervoroso da equipe de futebol Lazio.

 

A morte ocorreu em virtude de um confronto entre torcidas, especificamente numa tentativa de conter os ânimos exaltados de torcedores da equipe Juventus, que resultou num tiro proferido por um policial que tentava evitar uma tragédia, mas, por sua inexperiência, ao invés de resolver o problema criou um pior.

 

No caminho para Milão, no norte da Itália, a fim de assistir o confronto de seu time com a Internazionale, o grupo que acompanhava o DJ foi interpelado por torcedores advindos de Turim que se dirigiam a Parma para acompanhar o confronto da Juventus com o Parma.

 

Com um embate iminente o policial, acidentalmente, desferiu um tiro no pescoço do torcedor romano.

 

Gabriele era tido como um dos torcedores símbolos da Lazio, não por sua completa veneração ao time, mas sim por sua amizade com integrantes do clube e do elenco de futebol, em decorrência de trabalhar como DJ em uma das casas mais freqüentadas de Roma.

 

Sua morte desencadeou uma reação de revolta e ameaças contínuas por parte dos torcedores italianos, em especial os romanos, contra as autoridades policiais. A crise foi responsável pelo cancelamento de três partidas na rodada do campeonato italiano, uma delas inclusive, foi paralisada por atos de fúria de uma torcida que começara a destruir os vidros que separavam o campo dos assentos.

 

As brigas entre os tifosis, como são conhecidos os torcedores italianos, não são um fato inédito e não é adstrito apenas à Itália.

 

A Inglaterra convive com a presença dos mais fanáticos e violentos torcedores do Mundo, os denominados holligans.

 

O embate entre torcidas gera vítimas ao longo do globo e o fanatismo é apenas um pretexto para extrapolar sentimentos de fúria e ocasionar violência gratuita.

 

Prova disso, é o número de feridos quando ocorrem os denominados clássicos da bola: Corinthians x Palmeiras; Boca Juniors x River Plate; Internazionale x Milan; Real Madrid x Barcelona são apenas alguns exemplos de jogos considerados de alto risco.

 

Algumas medidas foram criadas, numa tentativa estéril, de dirimir ou minimizar o saldo sangrento. Na Argentina, por exemplo, foi adotada a política de jogos com torcida única, ou seja, nos grandes clássicos somente estará presente no estádio a torcida do time mandante.

 

No Brasil a solução, foi a criação de enormes alambrados para separar a torcida do campo, e um intenso policiamento para evitar o confronto. E o resultado? A violência prossegue...

 

Medidas meramente paliativas, porque o enfrentamento ocorre no retorno da torcida, ou com provocações prévias e posteriores.

 

A Itália convive com problemas de torcedores, com um lapso temporal diminuto, visto que o último incidente fora no ano passado e vitimou um policial.

 

O futuro do futebol, no que tange a segurança, parece sombrio se as autoridades competentes não desenvolverem um plano tático, realmente eficaz, porque as conseqüências podem refletir no direto afastamento da torcida dos campos de futebol.

 

Cenas como a torcida do Corinthians tentando invadir o gramado do Pacaembu ecoam até hoje na mente dos jogadores que estavam presentes no confronto com o River Plate, que culminou com a desclassificação do time paulista no torneio continental mais importante da América latina: a Copa Libertadores.

 

Um grupo de policiais heroicamente resistiu e conteve a fúria de uma massa enlouquecida disposta a cometer todo o tipo de barbárie.

 

O futebol não pode ser refém de seus torcedores! O esporte que une diferentes tipos de pessoas é responsável, acima de tudo, pelo entretenimento e não como uma válvula de escape para problemas alienígenas às quatro linhas.

 

A tarefa mais árdua foi, seguramente, a inglesa, pois seus torcedores mais extremados destruíam a tudo e a todos e, qual o resultado deste cenário sangrento? O extermínio dos holligans em praça pública?

 

Na verdade não, as autoridades tiveram a consciência de que o esporte possui um aliado de extremo valor, que pode e deve socorrer o futebol com uma política preventiva, qual seja? O Direito.

 

Medidas jurídicas contra os mais fervorosos culminaram com uma redução sensível dos índices de violência relacionados ao futebol. E qual a senha para o milagre?

 

Além de um investimento na segurança dos estádios, num melhor aparelhamento, as autoridades inglesas, numa atitude conjunta com o judiciário daquele país aplicaram penas alternativas aos brigões da bola.

 

As penas afetam diretamente o cerne da violência: a paixão pelo time do coração! E de que forma? Afastando o torcedor encrenqueiro do convívio com o clube de futebol.

 

Sendo assim, pessoas foram condenadas a ficarem em casa no dia dos jogos, cujo descumprimento ocasionaria a prisão.

 

Para casos mais severos, as medidas mais rígidas incluíram não só proibição de freqüentar o estádio no dia dos jogos, mas até o banimento do torcedor do convívio com o futebol.

 

O caso mais recente foi na Escócia, com a proibição de um torcedor que invadiu o campo e tentou agredir o goleiro brasileiro Dida no confronto entre Milan e Celtic de freqüentar qualquer estádio de futebol naquele país por tempo indeterminado.

 

As soluções implicaram na minimização da violência na Inglaterra, ao ponto dos estádios daquele país não terem sequer alambrado, os torcedores não tem qualquer divisória que os impeça de ter contato com o campo de futebol.

 

Imagine o que aconteceria se os alambrados fossem retirados dos estádios brasileiros? A existência dos Juizados Especiais nos estádios foi uma nova tentativa de combater a violência, mas sua eficácia prática ainda está muito aquém do desejado.

 

A justiça desportiva deve amparar as autoridades no combate com a violência das torcidas organizadas, pois essa luta não pode ser perdida, pelo bem dos demais torcedores que nada tem a ver com a selvageria praticada por alguns radicais.

 

O direito está apto e pronto para auxiliar até quando irão esperar as autoridades nacionais?

 


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