PORTAL BOLETIM JURÍDICO                                        ISSN 1807-9008                                        Ano VIII Número 650                                        Brasil, Uberaba/MG, quinta-feira, 09 de setembro de 2010

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AIDS - LUTA DIÁRIA CONTRA O PRÓPRIO PRECONCEITO

 

 

 

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1° de dezembro é o dia mundial de combate à AIDS. No entanto, essa doença que já afligiu com muito mais gravidade milhões de pessoas no passado, atualmente atemoriza mais o inconsciente do portador do vírus do que a saúde do infectado.

 

A Assembléia Mundial de Saúde, com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), que instituiu a data de 1º de dezembro. A celebração teve seu início em 1987. No Brasil, a data passou a ser comemorada a partir de 1988, por decisão do Ministro da Saúde.

 

Segundo dados da ONU a doença ainda está longe de ser considerada “inofensiva”, afinal, anualmente cem mil novos infectados incrementam as estatísticas. O número é impactante e representativo, mas se comparado às décadas de oitenta e noventa, quando a doença teve seu maior período de expansão, a melhora foi constante.

 

Apesar de existirem mais de 40 milhões de pessoas que convivem com o vírus, o controle e a melhoria da medicação permitiu uma diminuição dos contaminados nos chamados grupos de risco: enquanto na época da descoberta da doença a proporção era de uma mulher para cada homem infectado, hoje o número é de uma mulher em cada cinqüenta homens.

 

O maior avanço foi no controle da doença em si e na sensível melhora e prolongamento da vida do portador do vírus.

 

O desenvolvimento de um coquetel que combate diretamente a doença foi o grande responsável para que as pessoas sofressem numa escala menor em relação ao vírus.

 

Exemplo nítido da longevidade do paciente nos dias de hoje é a presença saudável do ex-jogador de basquete Magic Johnson, portador da AIDS desde o início da década de noventa.

 

A luta que teve seu início no princípio da década de oitenta com o registro do primeiro caso clínico confirmado da existência da doença e perdura até os dias de hoje, pois a epidemia ainda não tem uma cura comprovada.

 

Os maiores afetados são os habitantes da África, local inclusive que se especula ser a origem do vírus. E, as razões da proliferação do contágio são os mesmos que motivaram a existência da campanha: desinformação e não uso da camisinha.

O caos se comprova através dos números: 76% dos portadores de HIV no mundo e 70% dos novos casos de contração do vírus ao longo de 2001 advêm da África.

Todavia, a motivação para a elaboração desse manifesto não foi apenas a conscientização em torno da doença, pois outros problemas em torno dos portadores são pungentes e causam mais espécie do que a própria existência da epidemia.

A questão fundamental envolve a discriminação e o preconceito: tanto com o infectado como do próprio portador da doença.

Existem três formas, mais comuns, de contágio: a primeira é a relação sexual com uma pessoa portadora, a segunda é a transfusão de sangue, e a terceira a utilização de seringa infectada.

Por isso, usuários de drogas entram na zona de risco, pois para injetar a substância entorpecente o uso de agulha é indispensável, e se o consumo for partilhado o vírus pode estar presente e ser disseminado.

Quanto ao contágio, a intolerância se manifesta com mais agressividade, porque o portador da doença não pode propalar aos quatros ventos ser soro positivo, pois as pessoas já começam com ilações do tipo: não me encoste que não quero me infectar. Se ela me der um beijo no rosto eu vou pegar isso, etc.

De tal sorte, a tolerância dos demais diminui sobremaneira, apesar de todos os avanços da ciência, e o agente propulsor ainda atende pela denominação de ignorância e desinformação.

Os amigos começam a rarear, as visitas são menos freqüentes e o preconceito social é latente.

No entanto, existe motivo para tal conduta?

A resposta é complexa, por se tratar de uma doença ainda sem cura, mas o questionamento adquire contornos simplistas se invertida a situação: e se fosse VOCÊ o infectado?

A conscientização deve atingir também o portador do vírus. Este seguramente é o que tem o maior preconceito sobre suas limitações.

Se o vírus foi contraído em virtude de relações sexuais o retorno da confiabilidade e segurança em se relacionar com outra pessoa é muito letárgico.

Acrescido a isso, o sentimento de desconfiança e revolta é muito forte. Os primeiros meses são difíceis porque o portador pensa que sua vida sofreu limitações incomensuráveis.

Agora, imagine leitor, o adendo do preconceito social à insegurança, revolta, insatisfação, desconfiança do próprio portador da doença.

Ninguém escolhe contrair o vírus da AIDS, o preço a ser pago é muito caro...

De tal feita, não podemos vendar os olhos de que estas pessoas precisam do nosso apoio e compreensão.

Discriminar poderá gerar uma nova motivação: vingança!

Alguns portadores resolvem retribuir o “presente” adquirido e começa a se relacionar com outras pessoas sem proteção e o vírus está ali, a sorte está lançada, porque ninguém tem uma placa na qual está inscrito: “portador de AIDS proteja-se”.

A intolerância provoca respostas desmedidas. O dia 1° de dezembro existe para nos lembrar que o portador é uma pessoa igual a qualquer outra, e como qualquer pessoa que enfrenta uma restrição sobre sua saúde precisa de suporte e apoio pelos demais.

É preciso fornecer incentivo aos portadores, pois eles não são menores que ninguém, não podemos ter piedade, dó, desprezo, medo ou qualquer outro sentimento discriminatório.

Devemos mostrar que a vida é uma linha continua, e que para cada ação existe uma reação. A existência humana é perfilada por um longo caminho com flores, mas estas são dotadas de espinhos, uns maiores outros menores.

Lutar contra essa doença tão terrível significa apoiar o portador, informar e conscientizar os demais para evitar o contágio. O resultado: o avanço da humanidade...  


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