PORTAL BOLETIM JURÍDICO                                        ISSN 1807-9008                                        Ano XIII Número 1183                                        Brasil, Uberaba/MG, terça-feira, 29 de julho de 2014

 

 


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Pais, não choreis por vossos filhos


Carleial Bernardino Mendonça

Psicólogo-Clínico.

Inserido em 19/05/2011

Parte integrante da Edição no 752

Código da publicação: 2290


Há pouco mais de 2.000 anos, o Verdadeiro Homem afirmou algo semelhante ao ver mulheres chorando, quando O viram com uma Cruz nos ombros, a caminho do calvário.



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Grande número de pessoas quando recorrem ao tratamento psicoterápico, fazem-no em busca da cura de seus filhos mentalmente enfermos. Como o organismo funciona como um todo; podemos dizer que eles estão psico e fisicamente enfermos. Quando um ou mais membros de uma família se desequilibra, quase sempre a família toda está enferma e o lar desestruturado, pelo comportamento doentio de todos ou quase todos, em decorrência da má educação e maus exemplos dados aos seus filhos pelos pais permissivos.



Os profissionais da saúde, principalmente os Psicólogos e Psiquiatras clínicos, em sua maioria, já se acostumaram com as constantes reclamações dos muitos casais que procuram a terapia, relatando as suas vicissitudes mentais, físicas, morais e financeiras, geradas pelo comportamento negativo de seus filhos e deles próprios.



De modo geral, as queixas e reclamações não variam muito quanto à forma e conteúdo; variam muito os queixosos e reclamantes. Normalmente os relatos desses desafortunados pais estão repletos de sofrimento e prejuízos. O leque de sintomas apresentados por seus filhos é amplo e resume-se em uso de drogas, ensimesmismo, egoísmo, promiscuidade sexual, erotismo precoce, rebeldia, desinteresse pelos estudos, agressividade contra os pais e família (geralmente com os amigos e colegas são muito bonzinhos), crises depressivas, furtos, idolatria por carros, motos e pelo corpo, ociosidade, vandalismo, irresponsabilidade geral e outros sintomas neuróticos ou psicóticos.

Não é somente na clínica e no ambiente reservado do consultório que se ouve tais confissões; mas, também, entre pessoas, casais amigos e, até mesmo de pessoas desconhecidas quando estamos presentes em reuniões sociais e quaisquer outros locais de encontro. Onde quer que estejamos, mesmo em reuniões informais ou em encontros fortuitos, quando somos apresentados como psicólogos; logo um rosário de lamentações e queixas nos é desfiado pelos pais, parentes e amigos de pessoas desestruturadas, geralmente na puberdade e adolescência.



Mesmo acostumados a ouvirmos e vermos as mais variadas mazelas psicossomáticas, nós, terapeutas, ficamos penalizados e preocupados com o sofrimento do crescente número de pais que procuram a orientação e tratamento psicoterápicos. Algumas vezes os relatos que escutamos e os quadros clínicos que assistimos são de estarrecer, pela degradação familiar que se nos apresentam. Na sessão terapêutica, protegidos pela ética, juramento e discrição do terapeuta; os pais demonstram a própria decrepitude da espécie humana, narrando-nos sobre o comportamento de seus filhos, entre choros, apatia e desespero.



Decididamente, ser mãe não é mais padecer no Paraíso, como disse o poeta; mas, sim, sofrer no inferno, para muitos pais atuais, como alguém já afirmou. Na grande maioria das vezes, os genitores são os grandes responsáveis pela deterioração psíquica e física de seus filhos, bem como, da própria. Devemos frisar que são os responsáveis, porém, nunca culpados. Não lhes cabe culpa porque ninguém em sã consciência deseja a desestruturação de seus filhos e, muito menos, a própria falência familiar. Eles são vítimas, assim como seus filhos, de processos cerebrais e mentais inconscientes e alheios a sua vontade, na maioria das vezes.



Esses processos mentais inconscientes, são característicos dos estados psicopatológicos, tão comuns nos nossos dias. Isto é um fato, pois como dissemos acima, é inconcebível que alguém sofra,destrua a própria vida, dos seus familiares e dos seus semelhantes mais caros, como os pais; por puro prazer ou premeditação. A decrepitude das pessoas mais novas em idade é mais conhecida nos consultórios e hospitais psiquiátricos. Ali, vê-se e ouve-se casos dramáticos em que se sobressai a decadência não só dos filhos e pais, como também, de toda a sociedade contemporânea. As famílias estão produzindo, em massa, um grande número de filhos deteriorados que, por sua vez, serão geradores de mais e mais indivíduos enfermos mentalmente. Não é de se espantar, pois, que estejamos assistindo, impotentes e omissos, o crescimento geométrico da violência em todas as áreas do comportamento humano. E, é muito duvidoso que ainda tenhamos condições de sustar ou, pelo menos, minimizar a agressividade e violência do homem contra o seu semelhante e o seu meio ambiente.



Os males que acometem os homens são gerados por eles mesmos, notadamente em sua formação, a partir do ventre materno. A falência da família geradora de Homens íntegros, moral e psiquicamente falando; tornou-se um triste e notado acontecimento mundial. Os últimos espécimes verdadeiros do “Homo sapiens sapiens” encontram-se em agonia, nos estertores da morte; deixando-nos em seu lugar o “Homo asinus”. Da evolução natural da espécie, quando se esperava um aprimoramento da capacidade mental; deu-nos o contrário: uma involução mental, uma grande evolução na estatura física e nas cabeleiras da nossa numerosa, festiva, descompromissada, alienada e crescente moçada, notadamente na grande e mundial tribo dos moykanos.



Raramente encontramos humanos dignos de confiança em nossos dias. Tornou-se até comum o uso do ditado: “confiar desconfiando”,referindo-se ao relacionamento entre as pessoas (isto, já em 1986,quando o básico deste Trabalho foi escrito e publicado). Não se deve estranhar que haja tanta violência, pois, quando os filhos dos homens não são mais confiáveis; não podemos esperar dias melhores para a humanidade. Por que o homem atual se degenerou? Por quais razões a maioria das pessoas novas em idade encontra-se em franca decadência mental, concorrendo para o sofrimento de seus pais que, algumas vezes, só encontram a paz através da morte? Pais sofridos, penalizados por seus filhos que perambulam pelos consultórios terapêuticos, repetindo suas estórias de dor, sofrimento e decadência, em busca de um tratamento restaurador, nem sempre encontrado. Seus filhos, na maioria púberes e adolescentes, deixam entrever em suas fisionomias, fala e gestos; a própria decadência mental e moral em que se encontram. Alienados, vazios, improdutivos e agrupados em “tribos”, tanto mais agressivas quanto mais cobardes. Bem diferentes dos bravos e verdadeiros Moykanos, das longínquas planícies Norte-americanas.



Eles concorrem para a deterioração da sociedade, com enormes prejuízos materiais, morais e mentais. Basta que se observe o comportamento, no dia-a-dia, da nossa festiva mocidade, para se ter uma idéia do que nos espera em futuro bem próximo. A fim de avaliarmos esse futuro, lembremo-nos o que o Jornal “O Estado de São Paulo”, em reportagem de 1985, denunciou a “diversão” de muitos “jovens”,materialmente ricos, que se compraziam em atear fogo em miseráveis mendigos que dormiam nas calçadas , nas noites paulistanas. Outro “passatempo” desses doentes é o de atacar pessoas idosas a fim de maltratá-las e surrupiar-lhes os poucos pertences; embora esses anormais “jovens” (futuro do nosso País) não sejam materialmente carentes.



Se o Brasil não é sério (como afirmou o grande estadista e guerreiro francês Charles De Gaulle); menos séria é a nossa festiva “juventude” que se encontra, cada vez mais, descompromissada com os reais valores humanos, com o futuro e com a própria finalidade da criação e existência do Homem (Credo! Pareço até louco, falando nestas coisas de moral, futuro, humanismo e da nossa aguerrida moçada moykana). Para que não pensem que estamos exagerando sobre aqueles que nos sucederão no destino do planeta, basta visitar os locais onde costumam acampar os nossos valorosos descendentes: colégios (principalmente os públicos),cursinhos,barzinhos,escolas,faculdades,festinhas,boates,etc. Vejam como pisam nos canteiros,quebram os galhos mais baixos das árvores,atingem as lâmpadas,danificam as placas de sinalização,riscam as cadeiras das salas de aula,não dão descarga nos seus dejetos quando usam os banheiros(principalmente os públicos),rasgam os assentos dos ônibus, dos elevadores, escrevem palavrões (principalmente denegrindo a mulher), causam grande barulho com as suas algazarras e barulho com seus carros e motos em alta velocidade; jogam pontas de cigarro,papéis,copos e garrafas na rua; desrespeitam, com atos e palavras os demais(principalmente os pobres,humildes e idosos), pisam nos canteiros e pouco se ligam à rosas e ao verde que os cercam; julgam-se dono do mundo, imunes a tudo e imortais.



Voltados unicamente para o gozo material e erótico (só pensam naquilo) do “aqui-e-agora”; não se prestam a outros cultivos senão o da própria epiderme, não indo além de um palmo do nariz e do próprio umbigo. Que se dane eu, você e o resto do mundo! Assim, com tamanho e crescente descalabro comportamental, comprometeram e comprometem a manutenção da própria e infeliz espécie dos humanos. Bem razão tem alguns cientistas que nos garantiram que o futuro é das baratas e das ratazanas! Vamos ter baratas e ratos com fartura!



Como os filhotes desta geração de pais liberais e moderninhos vivem a expensas de seus ricos papais (é bom lembrarmos que nos países menos desenvolvidos a riqueza,quase sempre, vem por meios ilícitos), eles nem impostos pagam, a fim de minimizarem os prejuízos que causam aos contribuintes que, com o suor de nossos rostos, pagamos os tributos sociais,cada vez mais numerosos e pesados, para mantermos a criação e manutenção dos bens públicos que são utilizados e destruídos por muitos vândalos novinhos em idade . Lembremo-nos que eles, ébrios, barulhentos e eufóricos, tocam fogo em índios,mendigos,telefones públicos e no que encontrem pela frente, nas saídas das boates, forrós,jogos,barzinhos e similares. As Empresas Públicas que tem equipamentos de uso públicos (telefones, sanitários, etc.) e de transporte coletivo que servem às linhas mais utilizadas por estudantes, podem comprovar o comportamento desvairado dessa nova geração, com os seus imensos gastos com a manutenção e renovação das coisas particulares e públicas, danificadas e destruídas por eles. Também, os motoristas, cobradores e proprietários de lotações desses usuários imaturos, são testemunhas de suas algazarras e desrespeito que fazem nesses transportes, além de riscarem e danificarem, por pura demência, as poltronas e outros equipamentos dos veículos que lhes servem.



Quais as origens desse descalabro comportamental? São muitos os fatores desestruturantes que incidem sobre os filhos do homem, dito “moderno”, que favorecem a sua demência e decadência atual e futura. Dentre eles, citaremos os mais importantes; isto é, os mais negativos para a sua formação mental e somática:



-A personalidade dos pais;

-Os meios de comunicação e,

-A Escola.



A imaturidade da Pessoa cria vetores altamente negativos para si, para os demais e para o meio ambiente. Pais imaturos são verdadeiramente catastróficos para si, para as suas famílias e para o todo social. A imaturidade cega-os quanto à capacidade de analisar os fatores causais, dificultando a diferenciação entre valores negativos e positivos na formação adequada e positiva de seus filhos. Tal imaturidade mental impede de enriquecerem as suas vidas interiores, tornando-os alienados e, conseqüentemente, irresponsáveis e inconseqüentes quanto ao seu futuro e o porvir dos seus filhos que deveriam ser cidadãos honestos, cultos e garantidores de um futuro promissor (são justamente o contrário). Pais imaturos e alienados geram e soltam para o mundo, filhos imaturos, alienados e desestruturados que irão praticar toda espécie de delitos que presenciamos, diariamente, através da Mídia. Crimes esses que vão desde o roubo de pirulitos de criancinhas, do assassinato cruel de seus pais para surrupiarem alguns trocados a fim de comprarem drogas; até ao esquartejamento de suas namoradas, quando por elas se sentem rejeitados. Geralmente os pais que sofrem e fazem os outros sofrerem com o comportamento negativo de seus filhos, são pais imaturos, incultos e alheios aos autênticos valores humanos. Estes, quase sempre estão voltados para a frivolidade, ganância material, vaidade e destituídos de riqueza interior e mental. Como não se dedicam afetivamente a seus filhos, procuram compensar as suas deficiências espirituais (psicológicas e mentais),procuram compensar, de forma inconsciente, as suas deficiências espirituais e psicológicas, com oferendas e presentes materiais, como carros,motos,viagens, a não intromissão em suas vidas desregradas, através de comportamentos de submissão para com eles, cedendo aos seus caprichos e chantagens emocionais, a fim de tê-los consigo e não perderem a sua estima.



Um exemplo da prática clínica, explicará melhor esses comportamentos patológicos:



-Um pai que vivia muito ocupado com os seus negócios, pouco tempo dedicava à formação e educação de seu filho, de 16 anos de idade. O jovem exigiu do pai uma moto. Este tentou argumentar a respeito dos perigos que aquele veículo oferecia e que temia pela sua segurança. O filho ficou insistindo com ele, alegando que os seus colegas já haviam ganhado de seus pais carros e motos. O pai relutou em ceder à exigência do filho, mas notando que ele ficara agressivo e “distante” dele, cedeu à sua chantagem e deu-lhe a moto. Algum tempo depois, ao se exibir para uma platéia de infanto-juvenis, em alta velocidade, caiu da moto e se tornou mais um deficiente físico. Logicamente, seus pais se atrofiaram junto com ele.



Outro exemplo real de desestruturação familiar resultante da personalidade imatura dos pais vem de outro caso clínico de nosso conhecimento:

-Um casal procurou o tratamento psicológico para a sua filha de 16 anos, queixando-se de grande sofrimento. De fato; a estória que narrou sobre a sua atual vivência, chocou até mesmo o terapeuta, acostumado com relatos dessa natureza. A filha do casal havia sido criada praticamente pela babá, tendo em vista que seus pais estiveram muito ausentes de casa, preocupados e atarefados com os seus negócios, com festas, passeios e acontecimentos sociais mundanos e frívolos. A babá, a fim de não ter muito trabalho com a criança, deixava-a, constantemente, diante da televisão, que ficava ligada o dia inteiro. Em companhia da criança, a empregada assistia às novelas condicionadoras de comportamentos nocivos e negativos, sem que os pais se importassem ou percebessem.



A filha, apesar de ter uma “montanha” de brinquedos, chorava muito e era triste, de acordo com a lembrança da sua mãe. Aos 12 anos ela passou a sair em companhia de coleguinhas para locais ignorados pelos pais. Aos 14 anos se envolveu com drogas, agredindo freqüentemente os seus pais, principalmente a sua mãe. A mocinha não sabe se expressar sem o uso de repetitivos chavões monossilábicos da gíria indigesta que já nos dá indícios do seu conteúdo mental. Não vai mais ao colégio, alegando “num tem nada a vê”; desafia, constantemente seus pais,dorme vez ou outra fora de casa e não raro, chega obnubilada por bebida ou droga. É sexualmente promíscua, tendo se envolvido, intimamente, com o motorista do pai e com alguns outros indivíduos conhecidos ou não.



Somente após de apresentar esse rol de sintomas é que os seus pais “acordaram” para ela. “Essa menina não vale nada!” Disse o pai; “ela nunca prestou!”, disse a mãe, com lágrimas nos olhos. Eles estão mais preocupados com as suas imagens junto aos conhecidos e o seu meio social, que, com a própria filha. Solicitaram ao terapeuta que tratasse da filha sem o envolvimento deles na terapia, pois julgavam que a problemática (grave) da filha nada tem a ver com as suas personalidades e seus comportamentos familiares. É claro que tal tratamento (sem a inclusão dos pais) estará fadado ao fracasso, pois qualquer psicólogo conhece os devastadores processos inconscientes familiares que interferem na educação e formação da personalidade infantil, principalmente em casos semelhantes. Logicamente, com a recusa desses pais em participar da terapia, a maior parte dos profissionais da área se recusará em fazer a terapia, tendo em vista que seria pouco promissor o sucesso do tratamento além dos gastos financeiros dos envolvidos.



Outro comportamento comum entre os pais que concorrem para a degradação de seus filhos, da família e do social; é a excessiva proteção que dão a eles, tornando-os dependentes e incompetentes para a vida futura. Sobre isso, mais um exemplo do nosso cotidiano clínico, reforçará o que estamos tratando neste Trabalho:

-Há algum tempo, uma senhora uma “santa mãe” que se dedicava somente aos seus filhos e à devoção religiosa, veio se consultar a respeito do trabalho que seus filhos estavam lhe dando, apesar de toda a atenção e dedicação que lhes dera. Não deixou que eles “crescessem” e aprendessem a pensar por si próprios. Ela pensava e agia por eles. Esses cuidados e proteção desmedidos provocaram constantes atritos familiares, provocando comportamentos anti-sociais em três dos quatro filhos. Essa mãe sofre muito com esses filhos desestruturados, apresentando ela, também, graves transtornos psicossomáticos que abalam a sua saúde.



O pai, omisso, já sofreu agressões físicas de um dos filhos, nos muitos conflitos dentro do lar. Além disso, era grande o número de transtornos morais e materiais, decorrentes das falhas de ambos, na formação e educação de seus filhos. O quadro mais comum de patologia que encontramos no tratamento de pessoas novas em idade é o referente à promiscuidade, seja a sexual,costumes, moral, social, moda, linguagem, etc., resultantes dos péssimos exemplos comportamentais dos pais, familiares, companheiros e amigos; além do condicionamento imposto por muitos veículos de comunicação, notadamente a televisão, revistas, Internet e outros tão comuns em nossos dias; que nos “entopem”, dia e noite, com os piores exemplos da degradação humana; verdadeiro lixo mental que é absorvido por todos, de forma consciente e inconsciente, principalmente pelas pessoas imaturas e incultas de todas as idades. A promiscuidade sexual, principalmente entre púberes e adolescentes que não tiveram uma formação cultural, cristã e humanística; é a principal causadora dos imensos transtornos, patologias e conflitos pessoais, familiares e sociais que assistimos diariamente.



A erotização precoce é, principalmente, decorrente da intensa campanha do erotismo, sexismo e sensualismo mercenário que nos atinge, diariamente, pelos muitos meios de comunicação, principalmente pela televisão e Internet (como já escrevemos acima); bem como através de muitas Revistas, Jornais e Livros. Em todos eles, parecem-nos que tentam (e conseguiram) erotizar precocemente os infantes, com a finalidade não só comercial (modismo, cosméticos, etc.); como também, para criarem um ambiente social erótico (já criado) propício a uma oferta sexual maior e abundante para satisfazer a lascívia e o apetite erótico de indivíduos ninfomaníacos e inúmeros outros tipos de desviados sexuais. Seria importante pesquisarmos as razões de os homens estarem, quase sempre, por trás da produção de livros, revistas, moda, filmes, vídeos, novelas e peças teatrais de conteúdo erótico e sexista.



É evidente que será bastante agradável para uma grande maioria dos homens, que as menininhas bonitinhas se erotizem precocemente, tornando-se “ninfetas”,nome já tornado,pela mídia,muito bonito e gracioso, quando na verdade não passa de sinônimo de pedofilia!E, assim, elas serão “presas” sexualmente fáceis e ao alcance de muitos “lobos-maus” que sempre rondam esses “Chapeuzinhos-vermelhos” , nos “caminhos da floresta”, mesmo sem se importarem em levar os bolinhos para os lobos, ao invés de os levarem para as suas vovozinhas. Muitos desses oportunistas sexuais pretendem que a oferta sexual seja maior que a procura, concorrendo para o aumento da prostituição infantil, juvenil, adulta, etc. tão acentuada em quase todos os recantos do planeta; sem falarmos das demais mazelas anexas, como: promiscuidade, exploração, miséria moral e a proliferação e expansão de diversas patologias mentais e físicas.



A erotização precoce, cujo estímulo e ensinamentos estão contidos em quase todas as programações da televisão, como nas novelas, filmes, propagandas comerciais; bem como em revistas,teatro,vídeos,livros e, pior ainda, via Internet, onde a permissividade é totalmente liberada para tudo e para todos. Estes, são os estímulos principais que condicionaram e condicionam,há décadas, são os principais responsáveis e causadores da decadência física e mental dos imaturos de toda idade, principalmente entre os púberes, adolescentes, adultos e dementes de toda idade e patologias.



Essa degradação que atinge mais as mulheres, muitas vezes levando à depressão e ao suicídio. Tomando como exemplo uma mulher imatura (poderia ser um homem), ocorre que ela, a fim de atender aos impulsos eróticos que lhe foram condicionados por dezenas de anos de visão pornográfica,sensualista e sexista, propagadas fortemente pelos meios de comunicação acima; passa ela a variar muito de parceiros que só querem descarregar seu prazer passageiro e a sua energia orgástica usando o corpo da parceira; e, vice-versa. Não lhes importa o estado emocional e de espírito dela. Com o Tempo o desgaste de seu corpo se evidencia e ela não encontrará mais parceiros sexuais de sua preferência com a mesma facilidade de antes, quando tinha o corpo esbelto e atraente,principalmente porque o tipo de homens com os quais se relacionam; quase sempre são vazios, superficiais e imaturos também. Eles estão querendo agora aventuras novas com outras parceiras mais jovens e apetitosas (é o que não falta nesse mercado canibalesco), fruto da facilidade em encontrarem ofertas cada vez mais voluptuosas e baratas, em decorrência da campanha de erotização precoce, que já comentamos acima, pelos meios de comunicação e da literatura chula e medíocre. Quais os pais “bonzinhos” e “modernistas” que se preocupam com o que os seus filhinhos estão vendo, lendo e com quem saem e para onde eles vão?



Tempos depois, essas pessoas, erotizadas e insaciáveis, quando despojadas da atração de seus corpos, sentindo-se nulas por suas existências vazias e improdutivas; descobrindo que foram joguetes nas mãos de muitos homens; são elas “tragadas” pela depressão (pior, quando praticam abortos) e sentimento de culpa; são vítimas de graves doenças mentais e, não raro pensam no seu auto-extermínio. E, nestes casos (hoje, bastante comum), a família também se deteriora pelo enorme sofrimento dos pais, diante das conseqüências morais, sociais, materiais e financeiras que, inevitavelmente, acompanham a decadência dos filhos. O papel da televisão na desorganização mental, social e econômica da família está muito patente; porem é pouco estudada e analisada; por isso a sua ação danosa a toda sociedade, passa despercebida. Pelo contrário, a TV é idolatrada e se tornou no “pão-de-cada-dia” para quase todos os habitantes do planeta. Mas, para um analista e estudioso da mente e dos costumes; ela tem sido, por excelência o terrível meio facilitador e incentivador do condicionamento do erotismo patológico; da agressividade; da violência; da anti-cultura e de todas as mazelas morais,espirituais,mentais,materiais e comportamentais que faz agonizar toda sociedade mundial. Apesar de reconhecermos a sua excelente função de aglutinar o maior número de pessoas e aspirações mais nobres, no menor espaço de tempo. Todavia, sua programação negativa e nociva é bem mais freqüente e superior que o Bem que faz. O pior é o que vemos e ainda veremos mais, com a implantação universal da Internet, propagando a bilhões de pessoas de toda idade, cor, sexo, condição social e patologias diversas, toda a miséria mental, moral de uma humanidade que se autodestrói, enterrando-se no próprio lixo que produz. Voltando à televisão, ela vem se caracterizando pela exposição de modelos altamente negativos e prejudiciais à formação da personalidade infantil; afetando e comprometendo o comportamento futuro de toda Sociedade Mundial. As suas novelas, a publicidade comercial e filmes expostos, diariamente, são verdadeiras escolas de vandalismo, agressividade, violência, erotismo vulgar, palavrões, gírias, desvios sexuais, competição interpessoal, adultério, vícios e muitos outros tipos de degradação pessoal, familiar e social.



Somente os ingênuos, os incompetentes e os interesseiros não reconhecem o quanto as crianças são modeladas pelos exemplos mostrados na televisão, principalmente nas novelas. Há, também, os que inocentam a TV, porque dependem dela para sobreviverem; tais como atores, atrizes, proprietários de Emissoras, diretores, patrocinadores, produtores de programas, escritores de novelas, fabricantes de cigarro, bebidas, etc. São também defensores da TV, os interessados em se auto promover para fins eleitoreiros, comerciais e narcisistas e alguns outros, para se mostrarem “bonzinhos”, “moderninhos” e “tolerantes” para gozarem da simpatia, aplausos e favores das camadas mais novas da população. Além desses, os que trabalham com a publicidade que, para tirarem os seus sustentos, “aprimoram”, cada vez mais o erotismo mercenário e a agressividade entre as pessoas, e até contra o meio ambiente. Estes, também defendem a TV, para as suas conveniências particulares. Há, ainda, alguns “experts” do comportamento que dependem da TV a fim de ganharem notoriedade e clientela(ou votos); eles não vêem qualquer mal nos programas televisionados, chegando a dizerem que a agressividade mostrada na “telinha”(agora já é telona !) serve para “desabafar” e como catarse infantil! Se isto fosse verdade, as crianças de hoje estariam cada vez mais sadias mentalmente e os terapeutas infantis estariam jogados às traças e fritando bolinhos e fazendo bombons para venderem nas portas das escolas. É justamente o contrário; nunca se viu tantas crianças, púberes e adolescentes com tanta agressividade, tensos, problemáticos e portadores de tantas psico e sociopatias. Vide muros, fachadas, casas, prédios, telefones e lixeiras públicas pixadas e destruídas por eles! Vejam a idade dos mais perversos assaltantes e criminosos que nos atacam e nos matam! Procurem saber quem mais agridem os idosos e os pais! Perguntem a idade dos maiores provocadores de acidentes de carro!



Qual a pessoa nova em idade que vai se interessar em trabalhar,estudar,produzir,contribuir para o social, ser honesto,justo,íntegro e humanista, diante de imagens novelescas que, insistentemente, mostram e condicionam a ser ocioso,vadio,trapaceiro (com o nome florido de “esperto”), maníaco sexual,frívolo,desonesto,agressivo.permissivo,competitivo,desleal,malandro,alienado cultural e social? Até os sexualmente mais ajustados são influenciados pelos constantes modelos simpáticos, agradáveis e vitoriosos de desviados sexuais que se tornaram freqüentes e implantaram moda nos programas e dramalhões novelescos diários.



Seria oportuno e importante questionarmos o porquê de as emissoras de rádio e TV; bem como os produtores de programas, principalmente os de novelas, não utilizam esses importantes veículos de comunicação para transmitirem os bons exemplos de comportamento digno, de uma linguagem correta, de cultura, de cidadania e de respeito social? Programas realmente honestos e educativos deveriam primar por uma linguagem certa e elegante de personagens honestas, cultas e dignificantes, para servirem de modelos aos bilhões de telespectadores e ouvintes de toda idade; principalmente para aqueles cujos cérebros ainda não estão em condições de se auto dirigirem, quer por imaturidade biológica, mental ou psicológica.

E, por estarem dando péssimos exemplos, há décadas, a bilhões de pessoas de todas as idades, sexo, raça e nacionalidade; são eles os causadores da agonia das virtudes e da falência dos bons costumes. Bem razão tinha Rui, quando disse que haveríamos de sentir vergonha da honestidade. De tanto vermos triunfar os nulos, desviados e desonestos; acostumamos-nos com a nulidade, com os desvios e com a desonra. A televisão invade os nossos lares, impondo os mais variados estímulos negativos. Muitas vezes em casas de quem não tem a mínima condição de julgar o que é danoso ou sadio para si e para os seus filhos e, nem sempre podem desligar os seus televisores, por pressão e chantagem dos outros telespectadores.



Não é de se espantar que haja uma excessiva proliferação de doenças mentais que torna mais perigosa e difícil o nosso viver nas ruas, lares, instituições, igrejas, agremiações e até nas mais simples reuniões ou encontro de conhecidos, vemos surgirem confrontos e conflitos oriundo da imaturidade e agressividade latentes no Inconsciente de cada um. A violência desenfreada que de toda sorte nos atinge, principalmente no trânsito; nos atentados contra a dignidade; na desonestidade e decadência moral dos que cuidam (ou descuidam) das coisas públicas; nos descalabros sociais mais variados e diversos; na marginalização e mortalidade precoce de crianças, idosos e demais esquecidos e rejeitados pela vaidade, egoísmo e desonestidade de quase todos nós.



A ESCOLA COMO FATOR DE DESESTRUTURAÇÃO





A escola, de algumas décadas para cá, tem sido, também, fator de geração de desvios comportamentais nas pessoas mais novas em idade. Por paradoxal que seja, grande parte dos educandários que no passado primava na formação de grandes personalidades; celeiro de cidadãos íntegros e sábios; hoje, assim como a família, perdeu sua função primordial. Em todos os níveis, principalmente nas Escolas públicas e superiores, caíram os níveis de estudo e mental de docentes e discentes. Mas, isto já era de se esperar, com as famílias em franca decadência educacional e moral. Mui tos professores, quer por incompetência, comodismo ou para agradarem os “jovens”, permitem que os alunes cheguem aos diplomas sem um mínimo de preparo intelectual e moral para desempenharem suas importantes missões na sociedade. Professores, diretores e proprietários de muitos estabelecimentos de ensino temem punir ou reprovar os alunos indisciplinados ou incompetentes que, muitos deles só conseguem “passar de ano” mediante expedientes escusos como “cola”, “cópias de trabalhos alheios”, doação de créditos,etc. Raramente encontra-se alunos realmente dedicados aos seus estudos e socialmente responsáveis. Toda facilidade é proposta a fim de não reprová-los, também por exigência e pressão dos pais que não toleram a “frustração” de verem seus filhos atrasados. Preferem vê-los “passarem de ano” sem a devida maturidade e competência; que se danem os pobres e futuros clientes,pacientes,etc., desses profissionais incompetentes.



Outro grande mal que certas Escolas vêm causando às pessoas novas em idade; é quanto a adoção de livros para trabalhos. Já é comum a indicação de livros pelos professores com a finalidade de pesquisa pelos alunos, onde a tônica desses compêndios é a violência, a agressividade e a promiscuidade sexual, moral e física dos seus personagens. Alguns são escritos por autores ateus que são anticristãos, fomentando a descrença e o afastando de Deus os seus imaturos leitores. Nas escolas de antes, as leituras indicadas eram do mais alto nível moral, intelectual e cívico; onde se ensinava o português correto, o respeito e amor pela Pátria, pelos pais, pela sociedade e pelos semelhantes, principalmente para com as mulheres, idosos e crianças. Todos os que tiveram a felicidade e sorte de terem vividos e sido educados naquela época de cultura, respeito e honradez; devem se orgulhar de ter vibrado com os nossos heróis das estórias lidas e ouvidas sobre a guerra do Paraguai e a mundial, com a valentia e heroísmos dos nossos soldados e pracinhas. Regozijamos com os nossos grandes políticos, cultos, sérios e honestos; com os nossos cientistas que sabiam vencer as doenças que assolavam o mundo e nos ameaçavam de morte. Honravam-nos os nossos grandes poetas, escritores, compositores, cantores e maestros que nos encantavam e encantavam o mundo pela cultura, elegância, beleza, riqueza gramatical e pela grande inteligência que todos tinham.



Qualquer estudante primária, naquela época, conhecia e se encantava com os frutos do saber desses grandes mestres das artes, literatura e da ciência. Hoje, foram substituídos por pseudo escritores, cujas características principais são a linguagem chula e vulgar, com forte conteúdo de violência, agressividade e erotismo vulgar. A linguagem dessa “literatura” representa a própria decadência de quem escreve,lê e de todos nós. Recentemente, em um encontro de pais, tivemos a oportunidade de ler dois desses livretos que são adotados por alguns Educandários de estudantes pré-adolescentes, de 11 à 14 anos de idade. Os dois livros em questão foram-me apresentados por pais mais conscientizados, preocupados com os resultados de tais tipos de leitura na personalidade de seus filhos que receberam de seus professores a incumbência de fazerem e apresentarem trabalhos sobre os conteúdos dos mesmos.



Apesar de me encontrar familiarizado com a decadência mental dos humanos atuais, fiquei pasmo com o conteúdo daqueles livros. Eles falam de crimes, estupros, masoquismo, sadismo, roubos, pornografia e violência de toda espécie. Tudo isso, numa linguagem chula e de baixo nível cultural e mental. Os tais livros são excelentes modeladores e condicionantes da marginalidade infantil e adulta. Creio que até os desviados mentais adultos têm algo a aprender em livros como esses que muitas escolas adotam, sob a falsa alegação que as crianças devem tomar conhecimento da realidade que as cerca, desde cedo. Porque se deve falar precocemente de morte e de sexo somente porque um dia saberão dessas coisas? Isso é um engano, pois no momento oportuno em que os seus cérebros e suas mentes estiverem amadurecidos, saberão lidar. Literaturas como essa, são poderosas aliadas da TV, da Internet e de outros patrocinadores da desestruturação mental da sociedade, pois ensinam a matar roubar, estuprar; bem como, viver à margem e contra a lei e normas sociais. Nessas estórias, os heróis são marginais mirins que se misturam sexualmente com prostitutas, enfrentando,desafiando e vencendo os adultos, as autoridades e os representantes da lei. Esses pequenos delinqüentes, filhos rejeitados e deserdados de uma sociedade enferma, carente de sentimentos e de princípios morais, viram heróis e modelos para os nossos e todos os outros filhos dessa mesma sociedade doente.



Além de marginais pobres que os exemplos de condutas negativas provocam, muitos filhos de classes sociais, materialmente ricas (mas espírito e mentalmente miseráveis seguem à risca esses modelos deteriorados em seus comportamentos em casa (para o desespero familiar) e na sociedade (para o nosso desespero). Já temos prova dos resultados de tal modelagem e exemplos deteriorados. Vemos e sentimos na pele o comportamento destrutivo de muitos que chamamos de ”jovens” , nas ruas , nos lugares onde freqüentam e em quaisquer locais do planeta. O comportamento anti-social e delinqüente deles é idêntico em qualquer parte do mundo porque a Mídia e a Internet globalizou tudo; até os maus instintos. Até novelas são aconselhadas aos alunos,por tais tipos de professores, para fazerem trabalhos escolares. Novelas essas em que os palavrões,gírias,sexismo, agressões aos mais idosos e aos pais; são comuns em seus enredos. A Língua Portuguesa é negligenciada, agredida e vilipendiada ao ponto de se caçoar,xingar, rejeitar e rejeitar-se aqueles que gostam de estudar e de respeitar os semelhantes,principalmente os que obedecem aos pais e ás leis. Ainda falando da literatura abjeta que estão dispondo à leitura pelos nossos filhos, tivemos a oportunidade de ler mais alguns desses livros, quando se vê exemplos de crianças que são ameaçadas pelos colegas mais malandros só porque não querem “matar” aulas e não aceitam a marginalidade. Os próprios autores desses tipo de literatura e de algumas novelas; assim como os professores, responsáveis pelo ensino e autoridades educacionais, não sabem que estão gerando os seus próprios agressores e algozes de amanhã. Em outros desses livros, o herói é o bandido e a vítima é o bonzinho,correto e honesto.



Os pais são os maiores responsáveis, pois com a sua omissão e alienação, porquanto não se interessam em saber sobre o que os seus filhos estão lendo e fazendo; permitem sem questionarem, esse tipo de “literatura” de baixo nível. Quando nas reuniões de pais que as Escolas promovem, alguns pais mais conscientizados e mentalmente sadios se rebelam contra essa nociva prática didática; os outros pais e os professores tentam desmoralizá-los com aqueles chavões de sempre, como: “quadrados”,”antiquados”,”castradores”,”ultrapassados” e outras tolices mais. Fazem isso por ingenuidade, medo da maioria e para se mostrarem “moderninhos” e “pra-frente” e, assim, terem a simpatia dos filhos,professores e dos outros pais desestruturados. O que essas pessoas “moderninhas” tentam fazer é “nivelar por baixo”; isto é,usam uma técnica conhecida de compensação, que é a de tentar rebaixar aqueles que se mostram superiores na cultura e na mente. É a mesma prática que leva um viciado, por exemplo, a incentivar ao seu vício, o companheiro que não é viciado. Este comportamento tem a finalidade de obter solidariedade e companhia na decadência do desestruturado viciado. Quem não fala corretamente a língua, sente raiva inconsciente de quem se expressa de forma correta. Quem é desonesto, sente rancor de quem é honesto. Quem tem filhos desviados, sente-se incomodado com os filhos normais de outrem. Quem está por “baixo”, pode agredir quem ele vê estar por “cima”, etc. É bom que se repita que os processos causadores desses sentimentos e comportamentos negativos, são, quase sempre, inconscientes para a pessoa, com a finalidade preservá-la de uma deterioração mental mais grave, caso tomasse conhecimento de todo o vazio e desespero da própria inferioridade, quer seja mental,material ou física.



Atualmente, o grande filão comercial e apetitoso é o sexo e as suas variações eróticas. Quase todos,principalmente os imaturos,moykanos, só pensam nisso. É a busca desesperada por instantes gozosos, como se fossem morrer amanhã; pouco importa as conseqüências, os outros ou o dia de amanhã; nada além de um palmo de prazer diante do nariz; ou do umbigo, como queiram. A propaganda maciça e global transformou o impulso sexual que é normal, natural e biológico, em comércio lucrativo que deve ser perseguido por todos, como a meta e ideal principal da vida. As graves conseqüências desse sexismo (anomalia e desvio sexual) são claramente vistas no nosso dia-a-dia e na prática clínica. A atividade sexual só é natural, normal e sadia quando é praticada por pessoas madura conscientes, amorosas e responsáveis. Caso contrário, as conseqüências dessa precocidade e desvario serão terríveis, como estamos presenciando nas seqüelas doentias e sociais de imaturos precocemente erotizados pelo comércio, indústria, TV, internet e diversos outros agiotas do sexismo.



E, como já tanto lembramos, os pais são os maiores responsáveis porque não sabem ou não têm condições psíquicas ou se omitem diante da avalanche de bilhões de estímulos mentais nocivos que incidem sobre os nossos filhos (e, a todos nós), dos quais deveríamos ser responsáveis, como produtores biológicos de cidadãos. Diante de toda essa enxurrada de modelos perniciosos que recaem sobre nós, principalmente sobre as pessoas na fase de auto-afirmação e imaturidade mental, como crianças e adolescentes; não nos admiremos se dentro em breve tivermos as ruas abarrotadas de marginais “classe A”, gerados pelas ditas “classes” média e alta; que irão nos ameaçar,roubar e nos matar, apenas pelo “sabor de aventura”, como anunciam certos comerciais utilizados para condicionar e estimular as suas vendas para os imaturos de toda espécie e idade. Já sabemos que danificar os bens públicos, como quebrar telefones, lâmpadas, riscar assentos de ônibus, elevadores, pichar paredes e monumentos, destruir plantas, pisar em jardins, etc., têm esse “sabor” doentio para muitos filhos de pobres e de ricos desestruturados. A diferença desses marginais “classe A” para os de “classe C” ou “D”; é que os pobres são frutos da miséria material e social. Enquanto que os primeiros são filhos da decadência mental, moral e espiritual dos que condicionam as mentes imaturas dos mais novos em idade e dos deteriorados de toda idade. Dos pais omissos, imaturos e fúteis. Dos que escrevem e editam livros, revistas, peças teatrais, filmam e divulgam os maus costumes e induzem ao comportamento criminoso. Escritores, professores, pais, pedagogos e alguns psicólogos que defendem tais métodos, afirmando que eles representam a realidade e dela as crianças devem tomar conhecimento. Concordo que o lixo da promiscuidade reinante é a realidade; a cruel realidade de uma sociedade degradada e perversa que assassina criancinhas, em seus nascedouros, a fim de se esconder e de fugir de si mesmo. Concordo que os adultos tomem conhecimento dos seus próprios desvarios físicos e mentais; entretanto, não podemos concordar que sejam as crianças os primeiros a visitarem os porões da sociedade, porque a mente infantil ,por sua imaturidade psíquica e biológica não tem condições de entender sem imitar. Ainda mais, não se tem o direito de violar o mundo encantado das fantasias coloridas da infância, com sentimentos, imagens e idéias degradantes de adultos pervertidos e moralmente decadentes.



Pais: não choreis por vossos filhos, mas antes... choreis por vós mesmos e por todos nós.





Belo Horizonte, outono de 1986;

São Paulo, verão de 2011.



Carleial. Bernardino Mendonça.





Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;

Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;

Escritor e Pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.















Data de elaboração: marco/2011


Carleial Bernardino Mendonça
Psicólogo-Clínico.
Inserido em 19/05/2011
Parte integrante da Edição no 752
Código da publicação: 2290
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