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Portal Boletim Jurídico - ISSN 1807-9008 - Brasil, 18 de setembro de 2019

Consciência?

 

Edison Vicentini Barroso

 

O dicionário nos diz que consciência é a faculdade de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados. No universo social, é a noção ou idéia sobre certos acontecimentos importantes à vida do povo.

Falemos do óbvio. Estamos no Brasil, País no qual se tem assistido ao espetáculo de verdadeiros atentados à consciência moral (faculdade de distinguir o bem do mal) de seus indivíduos, em razão da corrupção desenfreada de governantes.

Mas, apesar de tantas evidências, o que se esboça e prenuncia no horizonte próximo das eleições? Aparentemente, pelas seguidas pesquisas de opinião, o continuísmo daqueles que se têm servido do Poder, em prejuízo do povo e visando objetivos particulares, a desserviço da Nação.

Então se indaga: que população é esta, que, tapando os olhos e fechando os ouvidos, se nega a reagir, a pensar, a refletir e, discernindo, tomar consciência daquilo que moralmente lhe convém?

Então se questiona: onde está a consciência individual e coletiva sobre tudo quanto tem acontecido neste País? Onde a noção do bem e do mal; mais que isto, de que este não se pode sobrepor àquele, sem ferir princípios ético-morais insuperáveis?

Triste constatar, na quadra de vida nacional presente, da ausência dos indispensáveis julgamentos morais dos “atos dos gerentes-regentes do Brasil”; ao que se vê, por piores sejam, invariavelmente absolvidos, numa sensação de impunidade inconcebível, a esmagar o senso médio dos homens de bem.
Parafraseando o grande Rui Barbosa, infelizmente, os tempos são chegados; aqueles, do comprometimento do caráter, dos gritantes desvios de conduta e da insensatez da notória falta de vergonha. Tudo, sob o manto protetor de uma sociedade, em grande parte, inda incapaz de discernir, porque despreparada a tanto.

Do que se entrevê, reina a inconsciência coletiva de indivíduos inaptos a verificar o que é bom e mau e fazer escolhas apropriadas à prevalência do que melhor lhes convém e à sociedade brasileira.

Do que se apercebe, o horizonte das coisas honestas – referência duma sociedade melhor – é algo fugaz, condizente a honrosas consciências esclarecidas e a se perder na imensidão da inconsciência quase geral de criaturas escravizadas pela ignorância.

São estes os tempos vividos e por viver, em que tudo, praticamente, pode acontecer, ao largo da triste realidade de um povo retalhado e cativo da falta de senso crítico, a estimular sua manipulação pelos abutres de plantão.

Estes são os tempos, chegados, em que se tem vivido por viver, na aceitação de qualquer coisa, ao atropelo de julgamentos irreais e fictícios, que mais nos farão sofrer, à distância da ética da verdade que nos deveria nortear os destinos.

Existe um ditado popular, antigo, que diz que cada povo tem o governo que merece. Parece-nos ser este o caso, de um povo sofrido e inconsciente, que, nutrindo-se do sofrimento, o faz prevalecer e perpetuar, num ciclo vicioso de terríveis proporções.

Mas, como se sabe, a natureza não dá saltos, fazendo-se preciso a ação do tempo para o amadurecimento de consciências que dormem, ao talante de tempos futuros de renovação.

Não nos custa, pois, em que pese tudo isso, renovar a esperança no dia de amanhã, certos de que, em meio à escuridão da inconsciência presente, se fará refletir o clarão luzidio da consciência nascente.

Edison Vicentini Barroso – cidadão do Brasil.

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Edison Vicentini Barroso

Juiz de Direito.

Inserido em 18/07/2006

Parte integrante da Edição no 187

Código da publicação: 1420

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Citação deste artigo, segundo as normas da ABNT:

BARROSO, Edison Vicentini. Consciência?Boletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 4, no 187. Disponível em: <https://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/artigo/1420/consciencia> Acesso em: 18  set. 2019.

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