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Portal Boletim Jurídico - ISSN 1807-9008 - Brasil, 17 de setembro de 2019

O dia em que apagaram as luzes de uma metrópole

 

Antônio Baptista Gonçalves

 

O tempo passa e as coisas evoluem. É assim com a família, com os animais, menos com o Governo do Estado de São Paulo. Maio, o mês negro, quando a cidade foi dominada por uma facção criminosa. Passado?

Não, ainda é presente, e infelizmente, algumas perguntas ainda ecoam em nossas mentes...aliás com uma série de perguntas sem respostas!

Os ataquem recomeçaram, o Ministro da Justiça e o Presidente oferecem ajuda a todo instante, por que o Governador insiste em fechar os olhos para a situação?

Por que o governo do Estado de São Paulo não tomou as devidas e reais medidas para evitar que essa crise provocada pelos membros da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) existisse?

Se o Governo sabia, por que testou o potencial criminoso dessa organização?

Se houve um planejamento, como o Secretário da Penitenciária afirma, então por que São Paulo parou?

Se tudo foi bem executado por que atearam fogo em mais de 17 ônibus?

O Governo afirmou estar preparado! Então como se justifica as mais de 80 mortes em apenas três dias?

Por que fecharam o aeroporto de congonhas devido a ameaça de bomba?

Por que o mais refinado shopping center de São Paulo, reduto dos endinheirados, teve de ser fechado às pressas?

Por que os cidadãos tiveram de ficar sem ônibus e metro para voltarem a suas casas?

Se o Governador afirmou em rede nacional que tudo estava sob controle o que veio fazer em São Paulo o Ministro da Justiça?

Por que São Paulo não aceitou uma intervenção Federal?

Por que surgiram boatos de que um acordo foi feito com os grandes lideres e o terror parou de um dia para o outro?

Como é possível as maiores avenidas da cidade estarem desertas às 21h?

Como uma facção criminosa se mostra muito mais organizada que o próprio governo?

É possível uma cidade de 15 milhões de habitantes se obrigar a aceitar um toque indireto de recolher e se submeter a passar por horas de incerteza e temor?

Se a ameaça era insignificante, como justificar a notícia ser veiculada nos maiores meios de comunicação da imprensa internacional?

Nesta terça-feira o horror recomeça com uma notícia de que a polícia supostamente teria matado a mãe do criminoso denominado “marcola” e para que?

Novamente as aulas foram interrompidas, as pessoas voltaram mais cedo para casa, mas o Secretário não disse que a paz estava imperando?

Até quando a cidade ficará refém de interesses políticos e dos interesses das facções criminosas?

A Imprensa divulga que foram compradas informações sigilosas por R$200,00 sobre o crime organizado, e por quem? Pelo próprio crime organizado? Mas isso é possível?

A resposta da facção é uma rajada a 41 viaturas policiais destruídas por tiros e novas ameaças de destruição, mas a crise não tinha acabado?

As autoridades lançam um combate feroz decretando medidas controladoras como o bloqueio dos celulares nas prisões. Contudo, se os telefones são um problema há anos, por que somente agora uma solução “inédita” foi criada?

Então podemos concluir que todas as chacinas anteriores e as medidas tomadas pelos presos não tiveram uma reprimenda a altura por não ser conveniente? Por que não era necessário, e por isso morreram tantas pessoas?

Em ano eleitoral toda essa crise envolve o maior colégio eleitoral da Nação, no entanto, o pensamento é apenas no bem estar da população, sem nenhum cunho eleitoreiro. Será mesmo?

Os presos terão seus bens indisponibilizados e terão responsabilidade sobre os atos praticados. E como comprovar que o preso tem bens em seu nome?

Por que, o preso tem uma estrutura muito mais organizada do que os que o controlam?

A onda de terror vai e volta e o cidadão continua sem saber como será o dia de amanhã, até quando?

Ninguém assume que existe uma crise, ninguém se predispõe a dar uma satisfação, a incerteza impera, apesar dos impostos serem pagos regiamente nenhum cidadão tem direito a uma informação confiável. Isso é justo?

As pessoas têm que acreditar apenas que isso é apenas um momento ruim da cidade, mas que logo vai passar. Não é uma profunda demagogia?

A resposta é simples, até em demasia, e foi dita pela maior autoridade do Estado: “porque está TUDO SOBRE CONTROLE!!!!”

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Antônio Baptista Gonçalves

Membro da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da OAB/SP;
Mestrando em Filosofia do Direito na PUC/SP;
Especialista em Direito Criminal Internacional e as novas armas contra o terrorismo - Istituto Superiore Internazionale Di Scienze Criminali;
Pós Graduado em Direito Penal – Teoria dos Delitos – Universidade de Salamanca;
Atividade exercida: advogado.

Inserido em 22/07/2006

Parte integrante da Edição no 188

Código da publicação: 1430

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Citação deste artigo, segundo as normas da ABNT:

GONÇALVES, Antônio Baptista. O dia em que apagaram as luzes de uma metrópoleBoletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 4, no 188. Disponível em: <https://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/artigo/1430/o-dia-apagaram-as-luzes-metropole> Acesso em: 17  set. 2019.

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