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Portal Boletim Jurídico - ISSN 1807-9008 - Brasil, 17 de novembro de 2019

Breve análise sobre a obra "Como se faz uma tese" de Umberto Eco

 

Larissa Maria da Trindade

 


“Todo trabalho cientifico, na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento geral, tem sempre um valor político positivo (tem valor negativo toda ação que tenda a bloquear o processo de conhecimento);” (Umberto Eco, 1991).

            O Capitulo 2,do livro “Como se faz uma tese”(1991),de Umberto Eco,traz como titulo ‘A Escolha do Tema’,título esse que faz menção ao conteúdo do mesmo.Trata-se de um emaranhado de sub-tópicos que discutem os parâmetros para se escolher o tema de uma tese acadêmica,incluindo dicas para se desenvolver uma monografia com orientação de professores. O capitulo reserva-se especificamente para universitários leigos quanto ao desenvolvimento de monografias e/ou projetos de pesquisa.

Umberto Eco,autor do livro, é escritor, filósofo e lingüista, mundialmente conhecido pelos seus diversos ensaios universitários sobre a semiótica, a estética medieval, a comunicação de massa, a filosofia e a lingüística. Autor de artigos de opinião nos jornais Espresso e La Repubblica, estreou como romancista com a obra ‘O nome da Rosa’, em 1980. Seus textos jornalísticos estão reunidos em ‘Diário Mínimo’ (1963), ‘Segundo Diário Mínimo’ (1990) e ‘A Coruja de Minerva’ (2000).

O capítulo insere-se perfeitamente na disciplina Metodologia da Pesquisa,pois consiste em uma espécie de manual acadêmico de auxilio a estudantes na escolha de temas de pesquisa.


            No primeiro sub-tópico do capitulo ‘tese monográfica ou panorâmica’,o autor recomenda aos estudantes a escolha pela tese monográfica (abordagem mais restrita de um só tema) ao invés da tese panorâmica(abordagem mais abrangente de um tema),visto que,quanto mais se restringe o campo,melhor e com mais segurança se trabalha.Em seguida, o autor discute sobre a indagação ‘tese teórica ou histórica?’,e aponta que a tese teórica é aquela que se propõe atacar um problema abstrato que já pode ter sido ou não objeto de outras reflexões.Neste tópico ressalta-se que é possível transformar uma tese teórica em historiográfica.Além disso,fica claro que uma tese experimental não pode ser feita com recursos inteiramente próprios,nem o método pode ser inventado.

No sub-tópico 2.3 ‘temas antigos ou contemporâneos?’ diz-se que, os autores contemporâneos são mais difíceis,pois apesar de seus textos serem de mais fácil acesso,agrupam uma bibliografia muito reduzida. Opondo-se a estes,estão os autores antigos,que exigem uma leitura e pesquisa mais fatigante,mas possuem um quadro bibliográfico mais completo,o que facilita o embasamento cientifico da pesquisa. O autor ainda discorre sobre ‘tese científica ou tese política?’. A tese científica deve responder a alguns requisitos:o objeto de pesquisa deve ser definido e reconhecido publicamente,o estudo do objeto deve dizer algo que ainda não foi dito,ou rever sob um aspecto diferente o que já foi dito,o estudo deve ser útil,apresentando alguma contribuição à comunidade,visto que,a importância científica se mede pelo grau de indispensabilidade que a contribuição estabelece.Em acréscimo,o estudo deve fornecer elementos para a contestação e verificação das hipóteses apresentadas,deve-se mostrar os procedimentos e achados bibliográficos,para que,se quiserem,outras pessoas possam continuar a pesquisa na mesma direção.Quanto a tese política,diz-se que corre o risco de beirar a superficialidade,pois não possui uma metodologia de pesquisa especifica como direcionamento.

Segundo o capítulo, uma tese serve, sobretudo, para ensinar e coordenar idéias, independente do tema tratado é um exercício de comunicação no qual o orientador é o único público competente disponível para o aluno. O aluno deve evitar transcorrer sobre temas que não são de seu interesse. O tempo requerido para se fazer uma tese varia de 6 meses a 3 anos. O conhecimento de línguas estrangeiras torna-se importante para o desenvolvimento de uma tese, pois não é aconselhável ler apenas obras da língua de origem do pesquisador, sendo a tese, portanto, um aprendizado geral das línguas ocidentais. O autor ainda ressalta que é possível conduzir de modo cientifico uma tese definida, quanto ao tema,como puramente jornalística.

O capítulo é importante, pois assume como função desmistificar a escolha do tema para uma tese e o cumpre em todos os aspectos. Elabora um emaranhado de possíveis e verídicas dúvidas de estudantes e futuros pesquisadores, e em seguida, as esclarece de maneira concisa e objetiva, propondo temas e exemplificando metodologias de pesquisa para conferir maior clareza ás discussões.

‘A Escolha do Tema’ é uma boa opção de leitura para estudantes principiantes na vida acadêmica e no universo das pesquisas, que queiram esclarecer dúvidas e escolher um tema de pesquisa.

                               

 Referências bibliográficas:

                                          

 www.umbertoeco.com                                            

 ECO, Umberto. Como se faz uma Tese. São Paulo:Perspectiva, 1991.


Elaborado em março/2014

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Larissa Maria da Trindade

Mestranda em Direito Público.

Inserido em 20/03/2014

Parte integrante da Edição no 1150

Código da publicação: 3325

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Citação deste artigo, segundo as normas da ABNT:

TRINDADE, Larissa Maria da. Breve análise sobre a obra "Como se faz uma tese" de Umberto EcoBoletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 13, no 1150. Disponível em: <https://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/artigo/3325/breve-analise-obra-como-se-faz-tese-umberto-eco> Acesso em: 17  nov. 2019.

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