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Portal Boletim Jurídico - ISSN 1807-9008 - Brasil, 11 de dezembro de 2019

Breve análise sociológica e antropológica da obra "SOBRADOS E MUCAMBOS" de Gilberto Freyre

 

Larissa Maria da Trindade

 

Introdução

A obra  “Sobrados e Mucambos” foi publicada pela primeira vez em 1936, em São Paulo, pela Companhia Editora Nacional, com o seguinte subtítulo: Decadência do patriarcado rural no Brasil. Tem 450 páginas e ilustrações fora do  texto: desenhos de M. Bandeira  e do  autor  e planta de Carlos Leão,  sendo o volume 64 da Coleção Brasiliana. A partir da segunda edição publicada em 1951 no Rio de Janeiro, desta vez sob responsabilidade  da  Livraria  José  Olympio  Editora,  como  número  66  da  Coleção  Documentos Brasileiros,  a obra  foi  refundida pelo  autor  e  acrescida de  longa introdução, numerosas notas  e dos seguintes capítulos: VIII – Raça, Classe e Região; IX – O Oriente e o Ocidente; X – Escravo, Animal e Máquina; XII – Em torno de uma sistemática da miscigenação no Brasil patriarcal e semi-patriarcal.

Foi a partir da segunda edição que a obra passou a ser considerada tomo II da Introdução à História da  Sociedade  Patriarcal  no  Brasil,  sendo  que , da  terceira  à  sétima  edições  –  ainda  sob responsabilidade da Livraria José Olympio Editora – a obra passa a constar de dois volumes. Somente a partir da oitava edição, publicada em 1990 pela Editora Record, a obra passa a estar compactada em um único volume.

Partindo  principalmente  do  conceito  de  cultura  e  dos  seus  correlatos,  na tentativa de reconstituir e de interpretar certos aspectos da história social da família brasileira, o autor procura estudar em Sobrados e Mucambos, principalmente, “os processos de subordinação, ao mesmo tempo  em  que  trabalha  os  de  acomodação,  de  uma  raça  a  outra,  de  uma  classe  a  outra,  de  várias religiões e tradições de cultura a uma só, que caracterizaram a formação do nosso patriarcado rural e, a partir dos fins do século XVIII, o seu declínio ou o seu prolongamento no patriarcado menos severo dos  senhores  dos  sobrados  urbanos  e  semi-urbanos;  o  desenvolvimento  das  cidades;  a  formação  do Império; íamos quase dizendo, a formação do povo brasileiro.

O presente trabalho é um resumo crítico da obra “Sobrados e Mucambos” de Gilberto Freyre. Neste livro Freyre parte para compreender as transformações do patriarcado rural, atingido pelo declínio da escravidão e pressionado pelas tendências externas da modernidade. A aristocracia rural troca as fazendas (as casas-grandes) pelos sobrados urbanos e seus antigos escravos alojam-se em casebres nos bairros pobres das cidades.

Um processo que aconteceu durante os séculos XVIII e XIX e que exigiu a adaptação das hierarquias, diante de demandas mais individualizantes e igualitárias e que fizeram com que “as elites patriarcais relativizassem a família, os parentes, os compadres e amigos, para privilegiar as corporações e irmandades religiosas e, depois, partidos políticos e ideologias que formam a base da convivência moderna”.

As ‘teses’ defendidas por Freyre em cada capítulo deste livro somam-se e integram-se,explicando-se mutuamente dentro de um mesmo universo urbano. Sendo que,sua tese maior é defender que ‘para além das superficialidades da época,sobressaem os valores.

CAPÍTULO I - O SENTIDO EM QUE SE MODIFICOU A PAISAGEM SOCIAL DO BRASIL PATRIARCAL DURANTE O SÉCULO XVIII E A PRIMEIRA METADE DO XIX

O primeiro capítulo de Sobrados e Mucambos faz uma descrição do que será apresentado em todo o livro. Gilberto Freyre trata basicamente da paisagem social, mediante uma narrativa motivada pela chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro que veio favorecer hábitos, comportamentos e papéis sociais que aceleraram as renovações políticas, econômicas e culturais. O inicio da modernidade, a urbanização, o surgimento de novos valores e instituições, o nascer de uma nova classe social e o declínio do patriarcalismo, amparado pelas mudanças estruturais da época, dão uma nova dimensão ao Brasil na primeira metade do século XIX. A diferenciação entre o meio rural e urbano, a influência mais inglesa que portuguesa e a abertura dos portos dando espaço ao capitalismo comercial provoca primeiro uma mudança na instituição e depois de valores.

            A vinda da família real portuguesa rompe com o isolamento da Colônia e faz desencadear um movimento de integração da sociedade brasileira, que assume enorme consistência de novos comportamentos modernizantes exibidos através da própria arquitetura de suas moradias que se transformam. Com o desenvolvimento das cidades, a hierarquização das relações sociais é firmada pela oposição entre o nosso mundo arcaico e os valores europeus burgueses e as novas realidades, principalmente aquelas relativas às transformações do estilo de vida na sociedade, que vieram integrar-se ao perfil do caráter nacional, criando-se espaço para uma sociabilidade até então não existente.

            É discutido ainda no primeiro capítulo o surgimento das novas profissões e como esses novos tipos sociais se integraram á realidade patriarcal e fizeram desenvolver novos ideais e valores. A nova inter-relação entre profissionais liberais (comerciantes, mascates, médicos) e sinhás desenvolve o ideal de amor romântico e acentua as modificações do personalismo rural e do poder privado dos senhores, consideravelmente debilitados pelo novo espaço que emergia com a urbanização, como se os novos valores insinuassem que as próprias relações sociais estavam congregando a diminuição ou a substituição do individualismo e do privatismo, historicamente ambientados no patriarcado rural, por estratégias de um possível “coletivismo”.

Retornando ao processo de declínio do poder patriarcal familiar percebemos que estamos diante de uma grande transformação social quando Freyre destaca as mudanças nas base econômicas e o desenvolvimento do poder do Estado.Com a passagem de uma sociedade ruralizada para uma outra citadina, o senhor de engenho se endivida com o comercio de escravos e daí surge uma nova personagem social, os credores. Os credores eram judeus ricos que emprestavam dinheiro a altos juros para os senhores de engenhos, estes se endividavam e não tendo como pagar tornavam-se reféns dos judeus, e o patriarca ,antes intocável e onipotente, agora era submetido a cobranças através de uma figura pública destinada a cobrar dívidas.

Enfim, o primeiro capítulo aborda as causas da decadência do sistema patriarcal brasileiro, principalmente em Pernambuco e na Bahia, onde desde o século XVI se consolidara a casa-grande. Freyre atribui um peso considerável ao fato de que os valores dessa estrutura social começam a se desagregar graças ao surgimento de novos valores culturais, eminentemente urbanos, cultivados pelos novos bacharéis de formação cosmopolita, isto é, européia, o governo dos jovens, a neocracia. Com efeito, Freyre acentua que a decadência do patriarcado rural não se deve somente à decadência de um tipo de economia baseada na escravidão, mas também ao crescimento dos centros urbanos e ao surgimento de uma classe burguesa, de novas profissões e da ascensão dos bacharéis, muitos deles mulatos, que trouxeram consigo valores socioculturais correntes no cenário cultural europeu de então.

CAPÍTULO II – O ENGENHO E A PRAÇA; A CASA E A RUA

            No segundo capítulo Freyre destaca a variação do processo de integração social e nacional no Brasil. Os diversos tipos de influência sofridos pelas diferentes regiões brasileiras acentuaram as disparidades regionais. A urbanização e a conseqüente diferenciação entre meio rural e urbano não aconteceu de maneira uniforme e ainda hoje há contrastes na paisagem nacional advindos do período da formação brasileira. Outra variação citada por Gilberto Freyre é o tipo das casas, a diferença entre as casas de bandeirantes “solteirões” e aventureiros casados. Nesse âmbito o autor destaca a importância da mulher como “estabilizadoras de civilização européia no Brasil”.

            O sobrado não se entregou à cidade tão facilmente. Mesmo após a mudança da casa-grande de engenho para a casa-grande de sobrado a resistência à rua era muito grande. Submissa ao pai e ao marido a mulher permaneceu ainda por muito tempo com sua vida reclusa, ligada a afazeres domésticos, não aparecendo para estranhos e limitando sua vida às janelas, varandas e igrejas. O entretenimento das moças da casa-grande era a fala dos papagaios, os afagos de sagüi e de macacos e os cafunés das mucamas. A vida das mulheres sempre permaneceu mais rural que a dos pater familias. A rua chegava às mulheres do sobrado através dos mascates. Eles levavam para o interior desses quase-conventos um pouco de ruído da rua e das novidades da praça.

            Freyre trata também de manifestações que escandalizavam a gente dos engenhos. Os desfiles, as procissões de rua, a capoeira e tantas outras manifestações do escravo da época, esses excessos impressionavam as pessoas do engenho, que voltavam às casas-grande maravilhados. Foi, inclusive, por iniciativa de negros que se ergueu a primeira cidade contra o engenho. “Foi no escravo negro que mais ostensivamente desabrochou no Brasil o sentido de solidariedade mais largo que o de família sob a forma de sentimento de raça e, ao mesmo tempo, de classe” (p.41).O quilombo de Palmares foi a primeira reação contra o sistema patriarcal individualista e privativo. Outro acontecimento que marcou a época de transformações na casa grande foi o desenvolvimento da música profana. Em meados do século XIX já se ouvia nos sobrados muito piano e em vez de modinhas, canções italianas e francesas.

            Após a chegada de Dom João VI, o Brasil recebeu, nitidamente, grande influência inglesa. A riqueza da sociedade patriarcal, enobrecida pelo açúcar atraiu o inglês e isso atingiu a sociedade brasileira daquele período, com sérias conseqüências econômicas, políticas e culturais no futuro. “... contribuindo para o chá servido pela dona da casa, para a moda da cerveja e do pão, para maior limpeza da rua e o melhor saneamento da casa. São aspectos da influencia inglesa no Brasil...(p.47)”. Freyre ainda destaca o declínio do açúcar com o surto do café e suas conseqüências para a aristocracia rural. Com a queda do comércio de açúcar os senhores de engenho não tinham mais como manter o luxo e nem como comprar escravos. “As casas-grandes do interior começaram a serem eclipsadas pelos sobrados das capitais (p.48)”. Com a proibição do tráfico, a aquisição de escravos para os engenhos tornou-se problema angustioso e as fazendas do sul principiaram em absorver os negros do norte. Era o surgimento do Estado e  com ele um novo modo de  fiscalizar e exercer o controle sobre a nação.

            O patriarcalismo cria mulheres frágeis, “bibelôs”.Faz uma divisão muito grande entre ‘mundo privado’ – mulheres com suas denguices,destinadas à reprodução -  e o ‘mundo público’ – homens ligados à política.

O Romantismo tem um papel importante nesse período,pois o homem começa a cortejar a mulher,superficialmente à princípio com o intuito de seduzi-la. Apesar da estrutura de dominação masculina,havia mulheres fortes (matriarcado),não por si mesmas,mas,pela ausência do homem,seja por morte ou doença.

Em suma,este capítulo menciona que a principio existia a monocultura da cana-de-açúcar,que tinha como base a escravidão.Entretanto com o surgimento do café,há um deslocamento do eixo norte-sul. Em seguida,surgem a Lei Eusébio de Queiroz e a Lei do Ventre Livre proibindo o tráfico negreiro,portanto,ocorre um encarecimento dos escravos: o tráfico era ‘ilegal’,os riscos dos traficantes serem presos eram altíssimos. Concomitantemente ao encarecimento dos escravos se dá o endividamento dos senhores de engenho. Os escravos desenvolvem o interesse de migrar para o sul e começam a ocorrer o ‘rapto de escravos’. Como conclusão destes entraves, A AGRICULTURA VAI TER QUE SE REESTRUTURAR SOB O ASPECTO DO TRABALHO LIVRE.

CAPÍTULO III – O PAI E O FILHO

            Neste capítulo Freyre vai ressaltar a enorme diferença hierárquica existente,na época,entre os adultos e as crianças. Irá mostrar entre outros aspectos: o antagonismo entre o homem velho e o homem novo;as duas fases do menino na sociedade patriarcal: o menino “ANJO” e o menino “DIABO”; a idealização da morte das crianças e a possível explicação para tal idealização;o sadismo da relação pai e filho,os castigos do menino e o domínio do filho sobre o pai;os bons modos que eram cobrados das crianças.

            Ainda nesse capítulo há um enfoque particular,para o caso da educação jesuíta,no que concerne ao fato da diminuição do poder do “pater famílias” em suas raízes mais poderosas,por instituições como o colégio,o teatro e a Igreja. Como caso específico,trata-se da ‘especificidade’ da educação jesuítica: a educação jesuíta foi a mesma que a doméstica e patriarcal,embora visasse outros fins, foi a mesma no sentido de quebrar o indivíduo,a individualidade e a espontaneidade das crianças,visando adultos passivos e subservientes perante à Santa Igreja.

            Freyre aborda o fato de terem havido dois tipo de educação,com destaque para o Colégio com suas especificidades.O autor ainda aborda o patriarcalismo,como o domínio rural da casa grande sob o senhor de engenho; e o semipatriarcalismo,um período de transição,no qual ocorre o declínio do patriarcalismo com o desenvolvimento dos sobrados.

            Na época, havia a figura dos órfãos,que eram filhos de mulheres frágeis que morriam no parto,os agregados e aqueles que eram mandados para orfanatos e internatos.

            O autor destaca nesse capítulo as três instituições que começam a ‘quebrar’ o poder do pater famílias: a Igreja,o Colégio(inserido em um processo de urbanização e universalização) e o teatro.

            Com a chegada da família Real ao Brasil,ocorre a abertura dos portos e estabelece-se um novo tipo de capitalismo,portanto, “somos europeizados pela segunda vez”,mas dessa vez sob influência francesa e inglesa.Trata-se de uma reeuropeização.

            Ainda é abordada a “questão da infância”,que só se torna especial,com a burguesia no século XVIII. O filho é sempre mais importante e aos 6 anos de idade já possui a autonomia sobre o corpo.

            Há uma oposição entre a estrutura tradicional e a impessoal (que caracteriza o Brasil Moderno).O conhecimento valorizado na ‘nova’ estrutura é o conhecimento técnico,que dá enfoque ao mercado competitivo e ao trabalho livre. Não existe subjetivismo e relativismo na estrutura social,mas sim,instituições. O que existe é uma objetividade estrutural.Sendo que, a especificidade da nossa modernização se encontra em elementos como: a precocidade em se tornar adulto, as relações sádicas do senhor de engenho com seus filhos(no que concerne à submissão do menino e a soberania no pai,caracterizando relações sadomazoquistas),a idealização da criança que morre cedo com a justificativa de que iriam virar anjinhos,o prestigiou social das negras escolhidas pelo senhor (relação de dominação,exercida com presentes,na qual o prazer era visto como a idéia de possuir).

            Com relação ao sadomazoquismo,no que concerne à mulher no patriarcalismo,essa não tem racionalidade,não tem frieza para tomar as decisões certas nas horas certas,não era apta para a política,estava presa ao “reino do afeto” e suas funções eram procriar e dar prazer.

            No que diz respeito ao Colégio Jesuítas,essa ida dos meninos para o colégio significou uma MINIMIZAÇÃO do poder do ‘pater familias’,pois o poder que esse exercia foi transferido para a Igreja ( estrutura impessoal onde as regras eram iguais para todos) em nome de uma educação em consonância com uma Doutrina (Santa Madre Igreja) que objetivava formar cristãos. Essa educação era subserviente,mas com valores universais,para que as crianças se tornassem ‘melhores’ que o pater familias. Portanto,os jesuítas eram extremamente rigorosos com a questão da língua e deram uma importância muito grande para a literatura,o que contribuiu para a abertura para o Humanismo e o Universalismo.

            Acontece que,como conseqüência inintencional do Humanismo,houve o questionamento do poder do pater familias. O conhecimento incorporado ao corpo,tornou-se essencial para se viver dentro das novas instituições que se estabeleciam,então, “ as crianças” passaram a ir estudar na França e ao adquirirem conhecimento e novos modos colocavam ‘em cheque’ o modo de vida dos patriarcas.

            Com a urbanização houve o surgimento da boêmia,apareceram os teatros e bordéis e ocorreu o rompimento com tudo que é velho,no que concerne ao modo de vida. Havia a idealização da morte jovem,que rompia com as instituições antigas.Poetas morriam cedo com sífilis e tuberculose. Destaca-se nesse período Casimiro de Abreu e Álvares de Azevedo. Surgiam o sedentarismo e novos tipos de deleite.

            Esse capítulo,termina sob a base da NEOCRACIA que diz respeito a toda transcrição do patriarcalismo para o individualismo.

           

CAPÍTULO IV – O HOMEM E A MULHER

            Esse capítulo caracteriza-se, entre outros aspectos, pelo surgimento dos homens talentosos e seu desinteresse pelas coisas práticas; pelos tipos de influência que a mulher legou aos filhos; pela questão da mulher estar ligada às coisas práticas,além de muitos outros aspectos.

            O que o autor destaca é a DIFERENCIAÇÃO DOS GÊNEROS.Os gêneros se formam mais culturalmente do que biologicamente. Há uma “modalidade dupla”,uma bipartição de funções: o que é destinado socialmente ao homem e à mulher. Recorre a estudos antropológicos dos ameríndios. Essa “modalidade dupla” recorre a valores universalistas. O amadurecimento masculino precoce,que mostra o homem destinado a desbravar o mundo,ser criativo e ter talento. Em contrapartida, à mulher é vedada a possibilidade do desbravamento,ela está destinada à vida doméstica e ao lar,havendo até mesmo limitações às suas vestimentas.

            A biologia também tem papel.Mas grande parte das diferenciações são sociais. O que é biológico refere-se a aceitação e o social refere-se a criação humana que pode ser inventada,criticada,repensada,que reduz a dominação.

            Há uma oposição entre a vida pública (masculino,crítica,intelectual e abstrato) e a vida privada (feminino,afetos e reprodução),oposição problemática mas complementar,que é determinada por uma hierarquia social. Em um duelo corpo e alma,prevalece a alma,mas o que está em jogo é o prestígio, o reconhecimento social.

            Algumas mulheres tinham poder,mas não houve maternalismo e sim,só patriarcalismo,pois essas “mulheres-homens” assumem determinadas posições mas não de forma expressiva. Repetem toda a estrutura do patriarcalismo e por isso se masculinizam. Assumem esta posição não por terem conquistado esse lugar mas,por um contexto específico,como por exemplo a morte do marido.

            O Romantismo surge como “o motor” da elevação social das mulheres. As mulheres casam com as pessoas que estão ascendendo,pois eles detêm o capital intelectual: o conhecimento,fator que contribui para o declínio do patriarcalismo. Com o romantismo o amor passa a ser necessário para se fazer o casamento,os homens passaram a ter que conquistar a mulher.A elevação social da mulher se dá a partir do momento em que ela se torna importante no jogo e mudam-se as regras do jogo,com o surgimento de um novo estilo de vida,sob a influência das modas européias, as mulheres começam a ir ao teatro.

            Freyre ainda discursa sobre “ o rapto”,quando a mulher banca toda a resistência da família e passa a ter um papel na esfera pública.

            Relata o Protestantismo com Calvino que vai questionar a intermediação do sagrado,idéia que os membros do clero tem a função de cuidar da alma e estariam mais perto de Deus.

            Trata ainda das relações sadomazoquistas: alguém tem o prazer de não ter limites aos seus desejos e para isso gosta de provocar a dor. No que se refere às mulheres,houve um consumo excessivo de guloseimas para suprir o desejo sexual e a exacerbação da moda para compensar a falta de erotismo. As solteironas eram “abusadas”,deviam obediência a todos da casa e eram um fardo econômico,até as mucamas eram ‘superiores’ a elas.

            Os ‘dominados’ quando podem em determinado contexto vão ser tão sádicos quanto o patriarca é com eles. Um exemplo disso são os meninos quando crescem.

            Freyre ainda diz que Portugal e Espanha,influenciados pelos mouros,não estiveram envolvidos nas correntes de vanguarda para mudar o patriarcalismo.Mostra o patriarcalismo no que se refere à montagem dos corpos e a alimentação. As mulheres antes de casar eram magras,proibidas de comer tudo,frágeis e franzinas. Depois do casamento,eram as “matronas gordas” que comiam besteiras para suprir suas “ausências”,suas carências sentimentais e sexuais. Com o declínio do partriarcalismo as mulheres começaram a vestir roupas orientais.

            Quanto a parte biológica,procuravam imitar o modelo europeu,principalmente nas vestimentas,mas ocorreu que sendo o Brasil um país tropical,a grande quantidade de roupas escuras originavam brotoejas e o espartilho atrapalhava a gravidez.

            Por fim,este capítulo cita o tamanho do crânio usado para falar sobre a inteligência e tentar falar da superioridade das raças e dos gêneros. Menciona-se a questão da menstruação.

            Em suma, o homem na estrutura do patriarcalismo é furtado de ter na mulher uma companhia para diálogo. Faltou a influência prática da mulher no diálogo e isto era muito nefasto para ambos.

           

           

CAPÍTULO V – O SOBRADO E O MUCAMBO

O capítulo cinco fala das funções, dos sobrados e mocambos, suas características e das diferenças entre eles.

A casa, tipo habitação, é uma das influências sociais que atuam mais poderosamente sobre o homem, mas em particular, sobre a mulher, quase sempre mais sedentária ou caseira.

Os sobrados davam de frente para ruas sujas, ladeiras imundas, por onde quase só passavam a pé negros de ganho. Essas ruas não eram ambientes agradáveis e ideais para as mulheres e meninos de sobrados, eram vistos com péssimos olhos pela sociedade da época.

Com o término do período patriarcal rural, as recém formadas e urbanizadas cidades ficaram cheias de trabalhadores livres quase sem remédio, sem assistência e sem amparo das casas-grandes.

Foi nos sobrados, através da varanda, no séc. XIX, que se realizou mais depressa a desorientalização da vida da mulher no Brasil. A varanda e o caramanchão marcam uma das vitórias da mulher sobre o ciúme sexual do homem patriarcal.

Gilberto Freyre faz neste capítulo uma comparação das urbanizações e seus reflexos, analisando os holandeses, portugueses e ingleses, nos anos de 1640 e 1820 respectivamente. Ele aponta os aspectos negativos e positivos de cada urbanização realizada aqui no Brasil.

Era na cidade do Rio de Janeiro, no séc. XIX, mais precisamente nas pequenas e sujas habitações denominadas cortiços, que proliferaram-se prostíbulos dos mais variados e freqüentados por roceiros ricos e rapazes da cidade.

Para socorrer os casos mais difíceis de burguesas de sobrados que apareciam com barrigas provenientes de amor ilícito, surgia nos jornais a profissão das comadres.

Os grandes dos sobrados mais nobres passaram a expor mais publicamente seus maus exemplos à gente das casas térreas e dos próprios casebres, era a evidência da dissolução dos velhos costumes.

Quanto ao quê bebiam os interioranos e mais pobres, praticamente só água, enquanto os senhores burgueses dos grandes sobrados ‘bebericavam-se’ com vinhos do porto, licor de caju e outras bebidas importadas diretamente da Europa. Muitas vezes, após as bebedeiras, alguns senhores transformavam-se em meninos, brincando até de atirar caroços de frutas em quem passava pela rua.

A recém formada classe dos pobres livres beneficiou-se com a liberdade, mas prejudicou-se no que se refere à qualidade de sua alimentação, já que, nos sobrados e casas-grandes que trabalhavam, alimentavam-se de comida patriarcal.

Por falar em alimentação, a monocultura e a presença de alguns grandes senhores produtores rurais nas câmaras, pois a monocultura de cana e café era a mais vantajosa, e quanto aos político-empresários, faziam de tudo para manter os preços de determinados alimentos no maior patamar possível. A classe dos pobres livres, nos mucambos, alimentava-se principalmente de peixe e farinha de mandioca, ao passo que, os senhores dos sobrados davam-se ao luxo de carnes mais frescas e conservas importadas da Europa. Essa diferença na alimentação também existia entre pessoas de mesma classe social, só que pertencentes a regiões de diferente modo de produção. Nas regiões monocultoras, por exemplo, eram bem comuns os casos de aborto por insuficiência vitamínica entre as mulheres ao passo que, nas regiões de produção diversificada, eram mais raros a ocorrência destes mesmos casos.

O surto cafeeiro, neste século XIX, muito contribuiu para a industrialização de nosso país, mas também colaborou para a grande exploração do trabalho negro nos cafezais e indústrias. A liberdade, tanto de negros quanto de brancos pobres, nunca se efetivou de maneira plena, já que, se antes estavam presos por laços físicos agora se encontram amarrados a empresários por questões econômicas e de sobrevivência nesta liberdade recém conquistada.

Os mucambos eram cobertos de capim ou sapé, por influência dos indígenas e africanos e pelo fato de seus moradores não terem recursos necessários para o uso de pedras, cal e adobe nas construções. Porém, não só os mucambos, mas também os sobrados usaram deste tipo de cobertura no início das construções e formações das cidades.

A construção de mucambos se dava nos pés dos morros, nos locais de pouca higiene, localizados em áreas de mangues, beiras de córregos e, acima destas casas, os frades construíam suas igrejas e os conventos, usando da força dos escravos que moravam nos mucambos.

A construção de cortiços, devido à falta de ventilação, a umidade, altas temperaturas, trazia a proliferação de doenças onde alto número de pessoas se concentrava. A partir da abolição, o número de moradores cresceu, complicando ainda mais este fato. Os sobrados passaram a se tornar locais de comércio e repartições públicas, enquanto os piores tornaram-se cortiços, bordéis e coisas do tipo.

A modificação dos materiais usados nas construções de sobrados se deu pelos recursos aqui encontrados ao longo do tempo, o menor contato com a Europa e o caráter da região em que se estabeleciam como exemplo na Bahia, em que usavam de ostras para a retirada de cal para a construção.

As “casas de branco” eram casas que, diferentemente das comuns, preservavam características de vivências nos países europeus. Eram casas de mulheres brancas, que tiveram grande importância na colonização, como forma de consolidação da estrutura européia, usando de materiais para construções como madeira de lei, pedra e cal, dentre outros.

Presença de jardins e muitas árvores nos sobrados patriarcais e usos de produtos vindos da Europa pelos navios. Coloca-se o sobrado como um tipo de habitação patriarcal. Necessitava-se de grande espaço para abrigar todos os luxos que a família precisava nos grandes centros urbanos, como próprios açougues, cocheiras e senzalas, tomando um grande espaço urbano para a construção de um sobrado.

O uso de vidraças surgiu nas casas grandes como opção de requinte e para melhor iluminação das casas. Em algumas casas usavam-se vidraças até mesmo no teto pra que não houvesse iluminação de velas em dias escuros.

No Recife, se anteciparam a construção de sobrados verticais de até seis andares. Estendiam-se por cada andar os cômodos luxuosos das casas, tendo a cozinha no último andar e um mirante ao fim da casa.

Não se podia tomar banho salgado, nas águas do mar, próximo aos sobrados devido à imundície dos despejos de excreções, negros mortos e lixo. Nobres eram os banhos em rios, pela limpeza das águas e os passeios de canoas por eles.

Falta de higiene dentro das casas devido ao uso de urinóis e depósito de excrementos que posteriormente seriam jogados ao mar pelos negros.

Presença de grandes jardins nas frentes das casas, com esculturas nos chafarizes, de negros, mulheres gregas, moleques nus, dragões e ainda diversos tipos de plantas diferentes e muros altos com cacos de vidro ou pontas de lanças para evitarem a presença de moleques ladrões de frutas, e Dons Juans, que conquistavam as moças.

CAPÍTULO VI – AINDA O SOBRADO E O MUCAMBO

No capítulo seis toma-se o comércio como único corpo aristocrático. Os senhores de engenho constituem uma única classe, a mais opulenta e aristocrática no sentido de conservadora, sendo que, esta era sustentada substancialmente até o século XIX, pela escravidão, escravidão que por sinal, constituía a ‘base do sistema colonial’                                                                                      Entretanto, devido a Revolução do Brasil, a ordem dos senhores de engenho e dos clérigos estava instável: “... o resultado é que muitos, nascidos ricos, chegavam à velhice melancolicamente pobres...”!

Havia uma substancial diferença entre o filho do brasileiro e o filho do português. O filho do brasileiro rico, quando saia da infância degradava-se e era considerado um ‘miserável da sociedade’. Já o filho do português ( mesmo sendo fraco),tinha grandes cabedais no Brasil. Era desprezado pelos brasileiros quando era pobre e quando se tornava rico fazia dos brasileiros objeto de desprezo; consta que tinha relações com mulheres de cor e não sabia educar os filhos; além disso, eram ‘inimigos do pai’ e substituídos em casa pelo marido da irmã.                                                   

 O patriarcalismo consolidava-se mais urbano do que rural em sua essência; o comércio  - “o único corpo aristocrata” estava cada vez mais estável e era o único interessado na manutenção do Estado.

Aos poucos, barões, comendadores, viscondes, os grandes do comércio e da indústria, foram substituindo ‘a ordem’ dos senhores de terras e fazendeiros; e o comércio passa a constituir uma força mais sólida na economia nacional, do que a nobreza da terra. 

Quanto a agricultura,esta definhava pelo excesso de tributos exigidos pela corte e também pelo desleixo e miséria com que trabalhavam os lavradores. Freyre ainda cita que existiam as agriculturas de quintais e as roças. Há uma forte critica aos ‘senhores de terras’: “são os impostores da província, os pobres da terra, os sanguessugas do comércio”.

 A introdução de máquinas na agricultura, origina a ociosidade dos escravos. As casas grandes tornaram-se casas de campo,os sobrados tornaram-se palacetes e os senhores passaram a ficar mais na cidade do que no interior. Então houve uma rivalidade entre o luxo dos senhores de engenho e o luxo dos negociantes fortes, ambos detentores de sobrados suntuosos.

A agricultura passou a ser dependente do comércio e os mascates tornaram-se senhores absolutos do comércio. Houve um contraste entre o comércio dos portugueses, instalados em sobrados e nas principais ruas das cidades e o comércio dos brasileiros, instalados em casebres e situados em ‘becos tapados’,’travessas’ e ‘camboas’. A classe de agricultores arruína-se com a dívida que contraem dos portugueses; os portugueses dominam o comércio e reduzem os brasileiros a ‘seus escravos’.

 O romantismo boêmio,que surgiu na época era configurado apenas para os brasileiros.

Surge a figura do caixeiro que enriquecia com a ajuda dos brasileiros e houve uma rivalidade entre estudantes e caixeiros.Aconteceu que, o negociante português preferia para caixeiro o genro português do que o próprio filho,pois diante da disciplina imposta pelo armazém ,concluía que, a educação que havia dado ao filho não preparava este  para tal atividade,sendo o ‘caixeirinho’ vindo de Portugal,um ótimo ‘escravo louro’. O pai português temia no brasileiro filho a aversão à rotina comercial, ao duro, monótono e então sujo trabalho de balcão, de loja, de armazém. Portanto, o brasileiro filho deixou-se influenciar por ‘paixões românticas’,entregando-se à boêmia,à vida de café,às mulheres,ao jogo.O comércio,vantajoso a nação,começou a ser prestigiado do mesmo modo que as artes e as indústrias.

A imprensa brasileira glorificava a figura do comerciante, do industrial, do artista e a estes foram atribuídas funções importantíssimas na vida já quase nacional do país. Houve uma ‘ascensão do caixeiro’, visto que, a lei estava a seu favor em determinados aspectos. “O sistema comercial brasileiro tornou-se uma expressão urbana do sistema agrário, isto é,foi também,a seu modo, patriarcal e endogâmico,com os nomes das firmas fazendo as vezes dos antigos nomes de fazenda ou de engenho.

O Brasil, apesar de ter dado inicio à industrialização, ainda utilizava instrumentos agrários rudimentares, como o escravo, “que era a máquina da agricultura”.

A Inglaterra, nesse período, já “criminalizava” o tráfico negreiro, portanto discordava da estrutura ainda escravocrata brasileira.

Com a indústria, iniciou-se uma degradação da alimentação do escravo. Nas casas-grandes ele era mais bem tratado, e sua vida servil e útil era prezada. Nas áreas industrializadas havia uma exploração momentânea maior, prezava-se o modo eficiente de se tirar energia do escravo e não se preocupava com a sua alimentação.

Cada casa-grande entregava um pedaço de terra aos escravos, para que eles plantassem o que quisessem ou pudessem. Em geral, os negros escravizados cultivavam legumes e verduras, que serviam principalmente para sua própria alimentação. Assim, constata-se que os escravos das casas-grandes eram os indivíduos de melhor alimentação na sociedade patriarcal.

Os escravos dos mucambos com mais dinheiro, gostavam de parecer-se com o branco na roupa, nos gestos e até na (má) alimentação. O chapéu-de-sol, por exemplo, que servia para proteger a pele branca dos senhores de engenho do sol e para impedir que escurecesse, servia também como insígnia de superioridade e era usado por esses negros livres e com dinheiro.

Houve a mudança de negros livres das senzalas para os mucambos. Esses mucambos possuíam, além de “janelas e portas de fundo”, em alguns casos, alpendres para que os negros livres pudessem ostentar seu ócio, deitando-se em redes ou catando piolho,como as senhoras da casa-grande. Alguns possuíam, ainda, sótão, imitando as casas da Europa.

Problemas de habitação, como falta de espaço nos mucambos, “casas de pequenas frentes, grandes fundos, nada ventiladas, e formigando de habitantes” segundo Miguel Antônio. Falta de higiene pública, doméstica, alimentar, e a falta de atividade física levaram as pessoas da época a ter todo o tipo de doenças. Desde crianças com a saúde abalada, doenças como a tuberculose , entre tantas outras, destruíram homens e mulheres, contando também com a ajuda da moda da época que nada tinha a ver com o clima tropical do Brasil.

CAPÍTULO VII - O BRASILEIRO E O EUROPEU

            Neste capítulo Freyre aborda como temática principal o processo de transformação das práticas sociais e dos costumes no século XIX. O autor destaca o abandono paulatino de nossa herança moura, africana e asiática. Objetivando apresentar as dimensões do processo de reeuropeização, Freyre atenta para a substituição de uma tradição oriental por uma ocidental. São nas linhas desse capítulo que Gilberto Freyre discorre sobre a influência européia propriamente dita. “No Brasil dos princípios do século XIX e fins do XVIII, a reeuropeização se verificou pela assimilação, da parte de raros, pela imitação, da parte do maior número...” (p.309).

            Segundo o autor o Brasil foi mais brasileiro no século XIII, pois vivia livre das influências européias. Com as mudanças estruturais os costumes sociais também mudaram, iniciaram-se as mudanças nas casas, nas roupas, nos alimentos e logo o Brasil se encontrou tomado por influências inglesas e francesas. Revolução em tudo, europeização de tudo: alimentos, remédios, vestuário. Agora, por exemplo, “sobrecasaca preta, botinas pretas, cartolas pretas, carruagens pretas, quase um luto fechado. Essa europeização de nossa paisagem, de preto e cinzento, começou com Dom João e culminou com Pedro II” (p.312). A urbanização foi resultado do Estado Nacional democrático e impessoal e do capitalismo.

            Mau gosto, estilo de vida a ser superado, era assim que as influências orientais começaram a serem vistas. O colorido mouro sendo substituído pelo preto e cinza, cores européias. Tudo o que dava um tom oriental à vida dos dias comuns foi empalidecendo ao contato com a nova Europa industrial, comercial e mecânica. No entanto, houve barreiras para a reeuropeização, barreiras de ordens naturais, geográficas e culturais. Muitos europeus morreram e outros não conseguiram continuar no Brasil. O clima, as condições precárias de higiene, elementos, todos esses, de resistência anti-européia.  Mas, não foram só as vestimentas e os hábitos que sofreram alterações. A modernização mudou a classificação social e isso atingiu fortemente o patriarcalismo. O declínio do patriarcalismo é o efeito da abertura dos portos e da centralização do Estado.

            O europeu se assustava com o subdesenvolvimento do Brasil, isso porque a riqueza aqui era vista de forma diferente. Cavalos, fazendas, enfeites de prata, isso era sinônimo de riqueza para os brasileiros, contudo, os europeus não tardaram em substituí-la. Os móveis em jacarandá, as comidas importadas, os vestidos e calçados europeus, remédios e chapéus, tudo passou a ser importado da Europa. No entanto, os artefatos, alimentos e roupas usados pelos brasileiros eram adulterados, as roupas fora de moda, os artefatos de má qualidade. E não obstante ainda eram sete vezes mais caros. O europeu tornou-se senhor do mercado brasileiro. Os produtos eram a forma de unificar o mercado e garantir a ocidentalização.

            Todavia, a reeuropeização não trouxe somente coisas negativas para o Brasil. Com a ocidentalização surgiram o conhecimento técnico, científico e as novas profissões. Além disso, a educação também sofre uma reeuropeização; os colégios jesuítas tiravam a autonomia infantil, valorizavam a retórica, a gramática e esse excesso fazia com que não houvesse reflexão, pensamentos críticos. No século XIX estabeleceram os primeiros colégios franceses e ingleses no Brasil, para grande indignação dos padres. Os franciscanos começaram a introduzir outras línguas além do latim (inglês e francês), esses mestres abriram aos brasileiros nova zona de sensibilidade e de cultura, refazendo um pouco da espontaneidade intelectual. Em meados do século XIX a segunda língua no Brasil era o francês. Símbolo de prestígio social, recurso de elite.

            Com a maior europeização e a mais larga urbanização dos estilos de vida, acentuaram as rivalidades entre o artífice ou o operário da terra e o operário ou artífice estrangeiro. “A idéia de o operário ou artífice estrangeiro estar fazendo sombra ao mulato, o português da venda estar tirando a oportunidade ao filho de família pobre de enriquecer no comércio a retalho, foi crescendo nas cidades, a ponto de explodir em algumas, em reações nativistas contra o europeu.” (p.343). Mas, a europeização do trabalho, e até certo ponto, a do comércio, se impusera com o declínio da economia rigidamente patriarcal e com a industrialização da vida brasileira. No capítulo, Freyre ainda dá destaque para o processo de urbanização nas diferentes regiões brasileiras. Segundo o autor o processo foi descontínuo, houve lugares que se urbanizaram de maneira mais rápida e eficaz.

            Por fim, o capítulo trata da nova fase nas relações entre o brasileiro e o europeu. O autor trabalha com as modificações nas estruturas políticas, econômicas e principalmente sociais. Esse período foi marcado pela valorização do novo, da técnica, do intelecto e pela desvalorização do senhor de casa-grande, de valores patriarcais e de tradições orientais.  Freyre discorre ainda sobre a época em que a influência está sendo renovada nas suas cores, européias, individualistas e secularistas; quando o comércio ou o capital estrangeiro passou a ter predominância na economia brasileira e alterar os estilos de vida e de convivência do país. Daí também a lamentação pela aniquilação do oriente brasileiro, fator decisivo para diminuir a complexidade cultural que aqui existia. A sociedade que a reeuropeização tentava criar era a da anti-diversidade, da monotonia: tudo deveria ficar claro ao mesmo tempo que tudo deveria ficar cinza, pálido, gerando aquilo que Gilberto Freyre quase amaldiçoa como “depressão dos sentidos”.

CAPÍTULO VIII – RAÇA,CLASSE E REGIÃO

            “Dentro de uma sociedade patriarcal e até feudal,isto é,com espaços ou zonas sociais sociologicamente equivalentes às das sociedades chamadas feudais,como foi o Brasil durante o tempo quase inteiro da escravidão entre nós,não eram cidadãos nem mesmo súditos que aqui se encontravam como elementos básicos ou decisivos da população,porém famílias e classes. E estas famílias e classes,separadas,até certo ponto, pelas raças que entraram na composição da gente brasileira com suas diferenças de tipo físico,de configuração de cultura e ,principalmente,de status ou de situação inicial ou decisiva.

            Tomaram também com o tempo essas raças,cores regionais diversas conforme as condições físicas da terra,de solo e de configurações de paisagem ou de clima e não apenas as culturais de meio social.”

            Neste capítulo Freyre diz que as classes eram constituídas por dominadores,os senhores,ou por dominados,os escravos. Sendo que,o prestígio se dava mais pelo poder econômico e as condições regionais de espaço físico do que pela origem social e étnica.

            As flutuações foram no Brasil de conteúdo e de substância e não de forma. Em suas formas a organização brasileira foi predominantemente feudal,embora um tanto capitalista e o patriarcalismo caracterizou-se sociologicamente.

            Houve o amalgamento de raças e culturas,principal dissolvente da rigidez dos limites impostos pelo sistema mais ou menos feudal de relações entre homens às situações não tanto de raça como de classe,de grupos e indivíduos.

            Começou portanto,o declínio gradual do patriarcalismo: primeiro do rural que foi o mais rígido, o mais característico; depois do semi-rural,semi-urbano,urbano e ao lado desse declínio verificou-se o desenvolvimento de formas por alguns chamadas particularistas,ou individualistas,de organização de família,de economia e de cultura.

            Havia a classe dos rústicos.Partidas as relações antigas entre os rústicos e o palatium,o campanário deu a esses rústicos a coesão necessária para as vilas se converterem em pequenas comunas.Os rústicos não se confundiam nem com os escravos,nem com os servos ou moradores ou pequenos lavradores.Sua situação social era especial : era quase a de livres,o que faltava para autenticar essa posição era a iniciativa de ação ,a técnica da independência econômica que completasse neles o gosto pela vida de homens livres ou materialmente independentes de outros homens.

            Palhoças ou mucambos representavam a consagração de uniões monogâmicas contra as livres,da família particular à maneira católica contra a indígena.

            Freyre ainda discorre sobre as conquistas dos índios e escravos e sobre a ascensão dos ameríndios. Fala da elevação dos ameríndios à categoria de súditos,responsáveis perante el-Rei pelo governo de suas comunas e protegidos por el-Rei mesmo, contra outros pais sociais que pretendessem dominá-los e explorá-los: padres ou patriarcas.Sua classe não era a de escravos que nada possuíssem e não pudessem aspirar a honras e cargos: era a de proprietários,com o mesmo direito que os brancos a cargos e honras. No entanto,os ameríndios não estavam preparados para tanta autonomia.

            Decidiu-se que enquanto os índios não tivessem capacidade para governarem,haveria um diretor branco ou português nomeado pelo governador da capitania,mas essa decisão vinha cercada de mil e uma preocupações no sentido de respeitar a dignidade dos indígenas. Mas,a verdade é que os diretores cedo se tornaram,em grande número de casos,opressores e exploradores dos indígenas e movidos pelo interesse econômico foram levados a os escravizarem: houve portanto, a simplificação de africanos e ameríndios na figura,igualmente arbitrária do negro.

            O autor menciona que as índias entregavam-se aos homens de sua raça por dever,aos brancos por interesse e aos negros por prazer,de modo que,o negro na região gaúcha,se sobrepôs ao próprio índio.

            Há um destaque para as danças. Os fandangos,por exemplo,foram à princípio danças dos salões das altas classes e na segunda metade do século XIX,desceram até as senzalas dos peões,sendo substituídas não só por danças senhoris como também européias.

            Dos estudos das expressões ou variações de status na história da sociedade brasileira,nunca se deve separar a consideração da situação regional do índividuo ou do grupo,tantas vezes modificadora de outros aspectos do seu status. Ora no sentido dignificante,de valorização,ora no degradante,de desvalorização.

            Ser senhor de engenho foi de modo geral,situação dignificante ou nobilitante na sociedade patriarcal ou tutelar brasileira.Mas essa situação sofreu sempre restrições consideráveis imposta pela condição regional do senhor.

            Ainda discute-se a  questão das Irmandades cuja função nos primeiros meios urbanos do Brasil,foi a de dar nobreza,a eleitos,em vez de recebê-la sempre deles,como teórica ou ortodoxamente deveria suceder.

            Neste capítulo Freyre ainda ressalta a duplicidade de palavra baiano e por fim,as variações de nossa colonização.

CAPÍTULO X – ESCRAVO, ANIMAL E MÁQUINA

            Neste capítulo Freyre nos atenta para o processo evolutivo no desenvolvimento da sociedade. O objetivo do autor é trabalhar com as inovações, e como as diferentes classes se posicionaram frente ao novo, Freyre trabalha com diferentes visões entre dominantes e dominados. Na consideração das técnicas, Freyre assinala particularmente as fontes de energia: o motor humano, ou seja, o escravo, animais domésticos (bois e bestas), moinhos (vento, água), madeiras (carvão). A máquina aparece no cenário nacional e traz consigo resistência por ambas as partes. A vitória da máquina seria a ruína desse sistema baseado quase que exclusivamente no trabalho escravo e subsidiariamente na energia do animal e no qual a máquina desempenhava não só um papel secundário, como insignificante. Ainda nesse capítulo, Gilberto Freyre discute de que forma a reeuropeização quebra a diferença entre as classes no Brasil e como isso gera revoltas e acirra divergências.

            Com o desenvolvimento das cidades, a hierarquização das relações sociais é firmada pela oposição entre o nosso mundo arcaico e os valores europeus burgueses e as novas realidades, principalmente aquelas relativas às transformações do estilo de vida na sociedade, que vieram integrar-se ao perfil do caráter nacional, criando-se espaço para uma sociabilidade até então não existente. A idéia da “europeização” era a de civilizar de modo semelhante às maneiras e aos comportamentos burgueses, acolhendo os valores individualistas que advinham com o incremento do mercado capitalista numa sociedade ainda atrasada, dependente e muito pouco burguesa em relação às européias. Essas atitudes e valores tornavam-se a forma essencial da chegada da modernidade ao Brasil trazida pela troca de mercadorias que, por sua vez, acarretava modificações nas nossas estruturas de sociabilidade, gerando novas relações entre pretos e brancos, filhos e pais, mulheres e homens.

            O processo de modernização sofreu fortes resistências, a população brasileira, ainda marcada pelo patriarcalismo resistia às inovações. Com inserção das máquinas as relações entre dominantes e dominados ficam mais fluidas, mais impessoais. Os senhores, com traços muito fortes do patriarcalismo, sentiam seu poder ameaçado, e, além disso, não queriam trocar uma mão-de-obra barata por uma cara e que exigia conhecimentos que não detinham. Os escravos resistiam á máquina por pensar que a introdução das mesmas iria exigi-los mais. No entanto, depois da resistência às máquinas as classes dominantes se deslumbram e enfim principiou a libertação do negro da escravidão e da servidão.

            Percebemos que estamos diante de uma grande transformação social, com a passagem de uma sociedade ruralizada para uma outra citadina, transformação que, em última instância, abre caminho, à medida que novas oportunidades de trabalho são oferecidas, para indivíduos mestiços, filhos ilegítimos de senhores e padres, pessoas de status intermediários, que aprendem ofícios e transportam-se para uma experiência na qual o elemento tipicamente burguês afirmava-se crescentemente como a marca daquela sociedade. Há várias passagens relativas às possibilidades de ascensão social dos negros e, principalmente, dos mulatos. Na sua tentativa de imitar o europeu, o mulato brasileiro comprovou mais uma vez o “vigor do híbrido” ao aprender com rapidez “surpreendente” a manejar trens, a fazer macarrão, a fabricar vidro. Segundo Freyre a introdução da máquina acaba por valorizar o mulato, uma vez que, estes aprendem os novos ofícios e passam a exercê-los.

            Freyre também destaca nesse capítulo o culto de São Jorge no Brasil e mostra as visões diferentes que uma mesma figura pode adquirir em contato com uma determinada cultura. Para os senhores, São Jorge assumia o papel de ‘culto do homem-a-cavalo’, do nobre, do guerreiro, do poderoso, do dominador, para os escravos era símbolo de luta. Gilberto Freyre mostra rapidamente a função da magia e da mandinga ou veneno, desconhecidos dos brancos, como instrumentos de defesa e ataque de escravos contra senhores no Brasil patriarcal. A mandinga e o feitiço tornam-se, segundo o autor, expressão do antagonismo complexamente de raça, classe ou cultura que faz o Brasil patriarcal separado em vários grupos inimigos entre si, estes que tiveram em São Jorge/Ogum símbolos ou patronos de luta, foram os mais atuantes nesse conflito, mas não os únicos.

            O encontro com o ocidente quebra a diferença entre as classes, o patriarcalismo era equilibrado. A reeuropeização trouxe consigo proibição de práticas, medidas inconseqüentes que acabaram gerando revoltas e acirrando as diferenças entre senhor e escravo. O escravo não tinha mais a proteção do senhor e esses negros, inadaptados à sociedade, não tinham conhecimentos a serem utilizados na nova estrutura. É aí que surge o malandro, a ralé urbana.

Outro ponto que Freyre destaca nesse processo de modernização é o surgimento de uma nova classe emergente, os portugueses comerciantes. São essas novas figuras que aparecem no cenário nacional que vão dar suporte para a nova estrutura. Ainda a respeito da modernização, o autor dedica uma boa parte do capítulo à diferenciação de senhores e escravos pelos pés. Os pés dos homens senhoris eram uma espécie de pés de montar a cavalo e os pés dos homens servis, pés de andar nua e cruamente pelas ruas ou pelas estradas. E, sobretudo, idealizavam-se os pés pequenos, bonitos e bem calçados das mulheres senhoris em objetos quase de culto ou devoção da parte dos homens.

            De um lado, a destruição das gelosias, a proibição das rótulas, de outro, a introdução do vidro, do requinte das portas envidraçadas, não só dando para a rua, como dentro de casa, das alcovas para a sala de visitas e de jantar. Vidros nas carruagens. Nas cidades, ruas largas em vez de becos estreitos. Canos para a condução da água. Canos de esgoto, canos de gás. Barcos a vapor, trilhos, locomotivas, vagões, trens, ferrovias. Moinhos a vapor, fornos de cobre, bacias de cobre, gelo, cerveja inglesa. Dentaduras postiças. Desenvolvimento da ciência, saneamento básico, luz a gás, um aburguesamento das práticas. Enfim, a europeização do Brasil pela introdução de novas técnicas ocidentais, vindas da Inglaterra, da França. Tudo que era inglês ou francês foi ficando de bom gosto. Tudo que era português, de mau gosto.

CAPÍTULO XI – A ASCENSÃO DO BACHAREL E DO MULATO

“É impossível defrontar-se alguém com o Brasil de Dom Pedro I, de Dom Pedro II,da princesa Isabel,da campanha da Abolição,da propaganda da República por doutores de pincenez,dos namoros de varanda de primeiro andar para a esquina da rua,com a moça fazendo sinais de leque,de flor ou de lenço para o rapaz de cartola e de sobrecasaca,sem atentar nessas duas grandes forças,novas e triunfantes,às vezes reunidas numa só: o bacharel e o mulato.”

Neste capítulo Freyre mostra que, a valorização social começara a fazer-se em volta de outros elementos: em torno da Europa.Eram tendências encarnadas principalmente pelo bacharel, filho legítimo ou não do senhor de engenho ou do fazendeiro.Porque ninguém foi mais bacharel nem mais doutor neste País que Dom Pedro II. Nem menos indígena e mais europeu. Seu reinado foi o reinado dos Bacharéis.Por um lado, inimigos da aristocracia matuta, por outro lado, encontraram nela, esses bacharéis novos, seus aliados naturais para os planos revolucionários de independência política da colônia e até para as aventuras de ação romântica.

Em nossa literatura colonial, essa voz de bacharel é talvez a primeira que exalta o trabalho do escravo, a ação criadora, brasileiramente criadora, do proletariado negro,índio e principalmente mestiço na formação nacional.Parece que o povo custou a admitir nos bacharéis, nos doutores e até nos barões e nos bispos, a mesma importância que nos “capitães-mores” ou nos “sargentos-mores”.

A ascensão do bacharel se fez, muitas vezes, pelo casamento com moça rica ou de família poderosa.Diz-se de alguns moços inteligentes, mas pobres ou simplesmente remediados, que não foi de outro jeito que chegaram a deputado às Cortes e a ministro do Império.A farda do Exército, os galões de oficial, a cultura técnica do soldado, a carreira militar – sobretudo a híbrida de militar-bacharel – foi outro meio de acesso social do mulato brasileiro. A atividade política, no sentido revolucionário, das milícias ou do Exército Brasileiro – Exército ou milícias sempre um tanto inquietos e trepidantes, desde a Guerra do Paraguai – talvez venha sendo, em parte, outra expressão de descontentamento ou insatisfação do mulato mais inteligente e sensitivo, ainda mal-ajustado ao meio.

O título de capitão-mor arianizava os próprios mulatos escuros.Insistindo em realizar com escravos, o que outros sistemas econômicos começavam a realizar com máquinas e não apenas com animais, o sistema patriarcal brasileiro viu no mestiço impregnado de inglesias ou francesias um revolucionário a abafar ou reprimir. Tarefa difícil, dado o sucesso alcançado desde a primeira metade do século XIX, por numerosas mestiços em especialidades necessárias, não diremos ao desenvolvimento, mas à salvação do Brasil do perigo de estagnar-se em sub-nação tristonhamente arcaica.

CONCLUSÃO

Como “Casa-grande e Senzala”, a obra estuda o passado do povo brasileiro "através de seus estilos de residência e a sua influência sobre a vida e o caráter do mesmo povo", pois casa, no Brasil, é também, "como Gilberto Freyre demonstra em sua obra, escola, igreja, banco, partido político, hospital, casa comercial, hospício, local de diversão, parlamento, restaurante, e o que mais se queira", segundo a observação de Roberto DaMatta. Por certo também teatro, no sentido usado por Calderón de la Barca - o grande teatro do mundo -, com os seus conflitos familiares, as práticas sexuais, o relacionamento de senhores e escravos, os raptos de iaiás, vaidades e orgulhos de famílias, muitas delas gabando-se de uma discutível pureza racial.

 Cenário ideal para a afirmação social do bacharel e do mulato, uma das características mais marcantes do período, de acelerada transformação social, em contraste com a época estudada em “Casa-grande e Senzala”, segundo Freyre "uma quase maravilha de acomodação". A obra repete as mesmas deliciosas ousadias de estilo de “Casa-grande e Senzala” e utiliza os mesmos recursos de se documentar em fontes até então menosprezadas pelos estudiosos (velhos cadernos de anotações, livros de culinária, anúncios de jornais).

Referências bibliográficas:

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: volume 1 : introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil. 45. ed. Rio de Janeiro: Record, 2001. 668p. ISBN 8501056642

FREYRE, Gilberto; AYRES, Lula Cardoso,; BANDEIRA, Manuel. Sobrados e mucambos: decadência do patriarcado rural e desenvolvimento urbano. 3.ed Rio de Janeiro: J.Olympio, 1961. 3v (Obras reunidas de Gilberto Freyre ; introducao a sociedade patriarcal do Brasil; 2)

DAMATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?. 12. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2001. 126p. ISBN 8532502016

DAMATTA, Roberto. A casa & a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. 6. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. 163p


Elaborado em março/2014

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Larissa Maria da Trindade

Mestranda em Direito Público.

Inserido em 20/03/2014

Parte integrante da Edição no 1150

Código da publicação: 3328

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Citação deste artigo, segundo as normas da ABNT:

TRINDADE, Larissa Maria da. Breve análise sociológica e antropológica da obra "SOBRADOS E MUCAMBOS" de Gilberto FreyreBoletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 13, no 1150. Disponível em: <https://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/artigo/3328/breve-analise-sociologica-antropologica-obra-sobrados-mucambos-gilberto-freyre> Acesso em: 11  dez. 2019.

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