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Portal Boletim Jurídico - ISSN 1807-9008 - Brasil, 12 de novembro de 2019

A inflação

 

Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas

 

"Para isto só haveria uma resposta cabal e sensata: produzindo-se dez se obtém, por exemplo, vinte, e desses vinte nossa contribuição individual há de ser dez, significará que nossa produção se desvalorizou como se produzíssemos cinco e obtivéssemos dez. A solução estribaria, pois, em produzir vinte para obter quarenta. Deste modo o orçamento individual não se afetaria e se haveria oposto a diminuição do haver que eventualmente se produzisse".
"Visto de outra maneira: se o que antes vivia sem dificuldades com cem reais mensais, hoje acontece que esses cem reais se reduziram à metade pelo aumento dos preços, o lógico é que se preocupe por aumentar sua receita produzindo mais, vale dizer, trabalhando mais; e se não pode fazê-lo dentro de sua ocupação habitual, deverá realizá-lo fora dela. Pensamos que isto é mais racional que padecer miséria ou se entregar nos braços do desespero sem fazer nada para resolver a situação apresentada."
"... O essencial está em que ninguém deixe de compreender que as épocas de descanso e de vida fácil terminou, e que no trabalho fecundo e na mútua colaboração reside o segredo para levantar os espíritos de sua prostração, voltando os homens à realidade de uma conduta superior que redundará inegavelmente em benefícios de toda espécie".
"A redução constante de horas de trabalho na época pré-bélica, ou seja no período que precedeu à guerra atual (refere-se à Segunda Grande Guerra Mundial), trouxe consigo a anarquia mental e moral; mental, porque deu lugar a que se manifestasse em constante aumento a rebeldia contra as normas imperantes da organização do trabalho, e moral, porque a maior descanso maiores oportunidades também para o fomento do vício e das idéias dissolventes".
"Essa rebeldia se exteriorizava, deste modo, para quanto significara superação das atitudes individuais. O lema que pareceu tomar força no velho continente, e ainda em muitos outros lugares do mundo, foi o de esperar tudo dos demais sem colocar em absoluto do próprio. E assim, enquanto se mesquinhavam os esforços individuais diminuindo a colaboração na organização do trabalho, do que dependia o bem-estar e o sustento da família, se ia produzindo e acentuando um malestar que não pode conduzir a nada construtivo, porém sim a que as correntes extremistas, que se achavam em constante espreita, engrossassem suas fileiras com os descontentes. Este foi o processo que levou a tantos a perder a própria liberdade, a honra e, em especial, essa soberania de espírito que tão necessária lhe é ao ser humano para poder chamar-se homem ou mulher".
"Todas as leis existentes surgiram da sabedoria universal e por isso são inalteráveis e eternas. A lei de evolução põe frente ao homem a imagem de todos os tempos, oferecendo-lhe minuto após minuto a oportunidade de redimir suas faltas, corrigir seus erros e melhorar suas condições até a mais alta expressão de perfeição. Assim, pois na existência física ditas leis demonstram que a igualdade há de ser conceber ascendendo pelo aperfeiçoamento, igualando as condições dos demais à medida que se alcancem as posições em que se encontram aqueles com quem se aspira a se igualar; para isso será mister redobrar o esforço pessoal, realizando e alcançando pelos próprios méritos, pelo trabalho e pela decisão, o que represente o fruto de uma conquista individual. Do contrário, toda melhora equivaleria a uma esmola recebida, já que colocará o ser em uma situação que não lhe corresponde por mérito. Daí que as exigências de melhoras sem que exista a contribuição do empenho pessoal, sejam improcedentes".
"... compreender, também, que se com o esforço pessoal se supera uma situação alcançando outra melhor, será necessário saber conservá-la preparando seu espírito, quem a haja conquistado, para dar um novo passo para adiante, quando a oportunidade seja propícia. Se o que jamais teve em suas mãos uma bolsa de ouro, a recebe inesperadamente de mãos de outro sem ter nenhuma preparação acerca de como deve conservar e utilizar esse ouro, pouco tempo haverá de durar-lhe; entretanto, se esse mesmo ouro chega a mãos de quem está preparado para fazer bom uso dele, que bem poderia ser o mesmo que citamos no primeiro caso, preparado já para tal fim porquanto logrou superar suas condições e qualidades realizando esforços cujos resultados lhe protegeram contra a inconsciência e a ignorância, ambos compreenderão o que esse ouro significa em seu poder e conhecerão o valor do que foram capazes de fazer. Mas quando isto não se quer fazer, quando encolhendo-se os ombros o agraciado pela bolsa de ouro se dispõe a gastá-la ao seu capricho, a realidade logo se faz presente para mostrar uma vida fracassada que malogrou uma oportunidade".
A NECESSIDADE OU O DEVER DE SE CONSERVAR O QUE SE TEM.
"Por estas reflexões facilmente se compreenderá quão importante é que exista em todos a necessidade de se conservar cada estado superior que vão alcançando. Geralmente, os demais se deixam levar pela situação que lhe produz o triunfo, e a alegria que desperta neles a transição a um novo estado, seja da índole que for, lhe faz esquecer o dever ou a necessidade, como dissemos, de conservá-lo".
COMO CONSERVA O QUE SE TEM.
Saber que "todo estado que se transcende é a base em que se apoiarão as futuras decisões, os futuros esforços e as perspectivas de um novo avanço no melhoramento das condições individuais".

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Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas

Advogado tributarista em Belo Horizonte/MG
Email:[email protected]

Inserido em 18/05/1999

Parte integrante da Edição no 1

Código da publicação: 83

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Citação deste artigo, segundo as normas da ABNT:

CHAGAS, Marco Aurélio Bicalho de Abreu. A inflaçãoBoletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 1, no 1. Disponível em: <https://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/artigo/83/a-inflacao> Acesso em: 12  nov. 2019.

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