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Portal Boletim Jurídico - ISSN 1807-9008 - Brasil, 16 de dezembro de 2019

A solução da violência

 

Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas

 

A solução da violência não está na proibição do uso de arma de fogo, no referendo.

A solução da corrupção não está na criação de CPI e nem na punição dos corruptos.

A solução da fome não está no Fome 0 e nem nas fabulosas campanhas do Criança Esperança.

A solução está no homem. Dentro de cada um. Está, portanto, na educação desse homem para que ele aprenda a controlar em si seus impulsos, seus pensamentos e seus sentimentos.

O homem vive fora de si mesmo e por isso acha que as soluções estão fora. É necessário que esse homem se volte para si e passe a viver dentro de si mesmo e descubra o poder que tem para mudar a sua vida e a do mundo que o cerca.

Para isso é preciso que ele seja educado numa nova cultura que cultive esses valores internos quais sejam, o respeito, a confiança, a responsabilidade, a dignidade, a fidelidade e muitos outros.

Não se solucionará o problema social criando leis para isso e para aquilo, porque a causa dos problemas não está aí, mas na mente humana.

Na mente do homem tem origem o erro e também o acerto e somente nela está a solução de todos os problemas.

Educar a mente é educar o homem para que ele resolva os seus problemas e ajude os demais a solucionar, por sua vez, os seus e assim solucionar-se-ão os problemas de toda a humanidade.

Tudo o que o homem cria provém de sua mente. A obra arquitetônica, por exemplo, foi concebida pela mente do arquiteto.

O pensamento bélico tem origem na mente. Como também o pensamento de paz.

A arma é um simples instrumento desse pensamento que teve a sua origem na mente do que a empunhou.

Há que desarmar a mente. Pois é nela que se gestam as impulsividades, as violências, a insensatez.

Resta saber como desarmar a mente. Educando-a no acerto, no cultivo do acerto, porque o erro é humano quando dele se aprende a acertar. Erra-se para aprender a acertar. Como fazer?

Sem o conhecimento é impossível educar a mente. Qual conhecimento? Não há de ser o conhecimento corrente que se aprende nas escolas e universidades, pois essa ordem de conhecimentos é utilitária e serve para atender às necessidades das profissões, e isso se demonstra quando se presencia atos de violência praticados por profissionais, juizes, médicos, advogados, engenheiros que matam pelos mais fúteis motivos, a exemplo daquela cena deplorável veiculada pela tv, de um juiz atirando em um ser humano indefeso dentro de um supermercado. Tal atitude denuncia a incapacidade daquele homem, dotado de conhecimentos jurídicos que de nada serviram para impedir que um pensamento de violência e impulsividade o levasse a atirar em um semelhante. Repito. De que lhe valeram os longos anos de estudos acadêmicos e os inúmeros conhecimentos adquiridos nessa área da atividade humana e que de nada serviram para dissuadi-lo daquela intenção de matar. Não é dessa ordem de conhecimentos que estamos falando. Há uma classe de conhecimentos que permite ao homem controlar os seus pensamentos e evitar os desatinos da impaciência, da impulsividade, da imprudência, da indiscrição e de muitas outras deficiências da psicologia humana, causadoras desses infortúnios e da violência reinante em nosso meio social.

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Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas

Advogado tributarista em Belo Horizonte/MG

Inserido em 15/10/2005

Parte integrante da Edição no 148

Código da publicação: 872

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Citação deste artigo, segundo as normas da ABNT:

CHAGAS, Marco Aurélio Bicalho de Abreu. A solução da violênciaBoletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 4, no 148. Disponível em: <https://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/artigo/872/a-solucao-violencia> Acesso em: 16  dez. 2019.

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As opiniões retratadas neste artigo são expressões pessoais dos seus respectivos autores e não refletem a posição dos órgãos públicos ou demais instituições aos quais estejam ligados, tampouco do próprio BOLETIM JURÍDICO. As expressões baseiam-se no exercício do direito à manifestação do pensamento e de expressão, tendo por primordial função o fomento de atividades didáticas e acadêmicas, com vistas à produção e à disseminação do conhecimento jurídico.