Quarta-feira, 1 de julho de 2026 Edição 1299 Ano XXV ISSN 1807-9008
STJ

Jornada de Direito Civil reúne propostas para aprimorar Código após 15 anos de vigência

Jornada de Direito Civil reúne propostas para aprimorar Código após 15 anos de vigência

Teve início nesta quinta-feira (26), no auditório do Conselho da Justiça Federal (CJF), em Brasília, a VIII Jornada de Direito Civil, evento dirigido a magistrados e demais profissionais da área jurídica com o objetivo de delinear posições interpretativas sobre o Código Civil de 2002 (que entrou em vigor em 2003).

O evento produzirá novos enunciados a serem publicados e divulgados sob a responsabilidade do CJF, bem como propostas de reforma legislativa que serão enviadas ao Congresso Nacional. Durante a abertura do evento, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, destacou que a VIII Jornada, 15 anos após a vigência do Código Civil, é um momento oportuno para a proposição de adequações.

“É o momento de fazer um balanço das conquistas do atual código, bem como uma oportunidade para observar a evolução da sociedade e propor alterações, preenchendo as lacunas existentes”, afirmou o magistrado.

 

Ferramenta importante

O formato do evento, segundo Humberto Martins, lhe confere credibilidade perante o meio jurídico, já que inclui a participação de renomados juristas na elaboração dos enunciados. Apesar de não terem a força de precedentes judiciais, o ministro lembrou que os enunciados também orientam a posição dos magistrados, constituindo ferramenta importante na construção da jurisprudência.

O corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Raul Araújo, mencionou que os 612 enunciados já aprovados nas outras jornadas auxiliam toda a comunidade jurídica, e o objetivo da atual jornada é continuar o trabalho desenvolvido nos eventos anteriores.

“Apesar da quantidade de enunciados propostos para a atual jornada, 374, a característica principal do evento é a capacidade de pacificar entendimentos, e não a simples quantidade de enunciados que serão aprovados”, afirmou o corregedor-geral.

 

Conferências

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, apresentou a conferência “Direito fundamental e expressão religiosa: entre a liberdade, o preconceito e a sanção”, dando início aos debates técnicos do evento.

Fachin ressaltou que o proselitismo é natural nas religiões, e isso não significa uma sobreposição ou agressão às demais crenças. Cabe ao Judiciário agir apenas nos casos de abuso, assegurando-se a liberdade para que cada religião exerça seu poder de livre convencimento sobre a população.

Na sequência, o professor Detlef Liebs, da universidade Albert-Ludwigs, da Alemanha, explanou a respeito dos efeitos do direito romano sobre o Código Civil brasileiro. Encerrando as conferências, o professor Jakob Stagl, da Universidade do Chile, proferiu palestra sobre contratos de compra e venda, com foco na indissociabilidade do direito obrigacional e real.

O evento, que termina nesta sexta-feira (27), é coordenado pelo corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Raul Araújo, pelos ministros do STJ Ruy Rosado de Aguiar Júnior (aposentado) e Paulo de Tarso Sanseverino, pelo professor Roberto Rosas e pelo juiz federal Bruno Câmara.

As propostas de enunciados aprovadas nas comissões temáticas serão levadas a votação na plenária do evento, que será transmitida ao vivo a partir das 9h de sexta-feira pelo canal do CJF no YouTube.

Como citar este conteúdo

Jornada de Direito Civil reúne propostas para aprimorar Código após 15 anos de vigência. Boletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 17, nº 871. Disponível em: https://www.boletimjuridico.com.br/noticias/7955/jornada-direito-civil-reune-propostas-aprimorar-codigo-apos-15-anos-vigencia. Acesso em 1 jul. 2026.

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