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Portal Boletim Jurídico - ISSN 1807-9008 - Brasil, 21 de julho de 2019

A democracia masculina jurídica

 

Géia Alves Cayres

 

O que é a mulher? Ainda coisa como era tratada na Roma Antiga, talvez donzela, casta em sua torre inatingível, quem sabe ainda uma Amélia da música ou uma dona de casa submissa presa a tabus e preconceitos. Será que a que escreve é feminista? Deve ser mais uma mulher dando pitis, faniquitos. Falo de indignação, de discriminação silenciosa, pois psicológica, fruto do resquício dos tempos que se vão mais deixam rastros.

A mulher que denuncia as feridas sociais, que se rebela diante do errado, que luta pelo certo, que clama por justiça diante do homem, perde a razão, mulheres não podem discutir, não podem debater, não podem se impor diante do sexo masculino. Devem sempre se calar, pois pra elas o silêncio deve ser a melhor resposta, indignação e exigência de respeito são coisas para machos.

Definitivamente, constatei na Faculdade de Direito fazendo o último ano do curso que uma mulher estudiosa das leis para falar, para gritar , para debater com um homem estudioso das leis deve ter um certo tom ao falar, um certo jeito ao dizer verdades, um certo olhar ao encarar o oponente. Graças, somente a Deus, nem todos pensam assim. A mulhar NÃO é escrava do homem. Por quê? Por que um homem ao discutir com outro não precisa ter um certo jeito, um certo tom ,um certo olhar? Porque ele pode ser ele mesmo, ele pode olhar de frente, discutir até mesmo brigar e mesmo assim apenas indagarão quem tem a razão, com a mulher tudo muda! A falsa paz deve reinar, meu Deus ela está descontrolada, ela é louca (porque diz, assim como o homem, o que pensa).

Acredito e é óbvio, que pela própria imposição da natureza o homem é diferente da mulher, a estrutura de um homem é diferente da estrutura de uma mulher, sinceramente não quero, nem gostaria que as mulheres dominassem o mundo. O ideal que se busca é o equilíbrio, homens e mulheres unidos pela diferença em busca de uma sociedade sadia, simplesmente feliz.

Dignidade e respeito, direito ao pensar e ao falar são coisas iguais para o homem e para a mulher. O direito de dizer a verdade e de gritá-la é igual para o masculino e para o feminino, bem como, as consequências do ato praticado. A lei que pune o homem é a mesma que pune a mulher, a lei que salva, salvará a todos, não se precisará de um certo tom, de um certo jeito, de um certo olhar para se pleitear justiça. Precisará, e isso é verdade, de conhecimentos jurídicos e de educação.

Aprender direito, exercendo direito. Chega de comodismo, de preguiça, de ócio mental, de medo, toda mulher (assim como todo homem) e ainda mais aquelas que possuem conhecimento de princípios fundamentais para a construção e perpetuação de uma Democracia ou mesmo em qualquer outra forma ou regime de governo não deve se calar, não deve viver como enfeite de lar, ela não é um objeto. A mulher é um ser humano que deve buscar a felicidade, construída em alicerces justos e coerentes com sua forma de pensar. Uma juíza ou um juiz, um promotor ou uma promotora, uma advogada ou um advogado, uma procuradora da república ou um procurador da república? Respondo: a resposta não está no gênero mais no superlativo de quem se adjetiva o melhor conhecimento, o ou a mais vocacionada (o).

(Elaborado em 30/09/2005)

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Géia Alves Cayres

Acadêmica da Universidade do Estado da Bahia-UNEB

Inserido em 02/10/2005

Parte integrante da Edição no 146

Código da publicação: 844

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Citação deste artigo, segundo as normas da ABNT:

CAYRES, Géia Alves. A democracia masculina jurídicaBoletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 4, no 146. Disponível em: <https://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/artigo/844/a-democracia-masculina-juridica> Acesso em: 21  jul. 2019.

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As opiniões retratadas neste artigo são expressões pessoais dos seus respectivos autores e não refletem a posição dos órgãos públicos ou demais instituições aos quais estejam ligados, tampouco do próprio BOLETIM JURÍDICO. As expressões baseiam-se no exercício do direito à manifestação do pensamento e de expressão, tendo por primordial função o fomento de atividades didáticas e acadêmicas, com vistas à produção e à disseminação do conhecimento jurídico.