Em momento recente escrevemos artigo criticando a política assistencialista dos governos brasileiros, desde o federal, passando pelos estaduais e terminando nos municipais. A isso demos o nome de coronelismo e de formação de currais eleitorais.

Dar o peixe sem ensinar a pescar foi a base da nossa crítica. Programas assistenciais há que, sem resolver o problema da miséria acabam por estimular a preguiça e o desânimo social.

Incluir não significa dar em troca de nada. Fomos criticados severamente. Até nos acusaram de discriminadores com a pobreza. E acertaram. Somos contra a pobreza (e não contra os pobres).

Aí, por simples coincidência, damo-nos conta que na Índia, país que já ultrapassou o Brasil em matéria de produto interno bruto está sendo implantado um programa criando, naquele país de um bilhão de habitantes, 60 milhões de novos empregos de uma só vez.

Como a Índia tem cinco vezes mais habitante do que nós, seria o mesmo que dizer terem sido criados no Brasil 12 milhões de novos empregos de uma só vez, número que superaria ligeiramente a promessa de Lula.

O programa em tela prevê que, as pessoas beneficiadas por ele, vão trabalhar em construção de estradas, na reforma da infra-estrutura rural e na construção de canais.

Trabalhar na construção de estradas é uma forma de dar emprego e afastar a tentação das propinas que assola nossas construtoras. Serve até participar da operação tapa-buracos.

Construir canais é ampliar o programa do governo de superposição das águas da Bacia do S.Francisco, obra que, entendemos nós, deve ser implantada com urgência, até para reter no campo a população rural das regiões mais pobres do país.

Mas, lamentavelmente, nossos críticos são absolutamente infelizes na crítica que fazem. Queremos incluir na classe trabalhadora todos os que possuem capacidade de trabalho.

Os exemplos externos, como esse que vem da Índia é gratificante. Estamos todos lembrados do tempo em que o nosso país era considerado uma Belíndia, mistura da Bélgica de alto padrão de vida, com a Índia da miséria total.

Não estamos aqui pretendendo seguir exemplos da Suécia, ou mesmo dos Estados Unidos. Queremos que sejam seguidos exemplos como esse, da Índia. Os ideólogos de esquerda, por certo, não vão querer impingir o programa da classe trabalhadora chinesa. Lá existe, na quase totalidade, trabalho escravo que é explorado pelos comunistas no poder. Esse trabalho escravo é que é a mola propulsora do crescimento chinês.

Que se siga o exemplo da Índia onde recursos são transferidos para os mais pobres por meio de frentes de trabalho. É uma forma gratificante de inclusão contra a miséria total e a pobreza de espírito.

Por sinal, pobres de espírito são os críticos do estímulo ao trabalho. Pretendem, tanto no Nordeste como em estado do sul manter currais eleitorais que lhes facilite o acesso ao poder. Esse é o único emprego desse populacho de esquerda, já desmascarado pelo exercício do poder.

Deles, desses pobres de espírito, como está escrito na Bíblia, é o reino dos céus. Que nos permitam, viver nesta terra de todos nós, nossas convicções que, se são parecidas com as do Senador Bonhausen, como na crítica de alguém, mostram que ele, imitando os poderosos da Índia, está no caminho certo.

 

 

Alberto Rollo é advogado especialista em Direito Eleitoral, presidente do IDIPEA (Instituto de Direito Político Eleitoral e Administrativo) e escritor de mais de 14 livros, entre eles: “Propaganda Eleitoral – teoria e prática” e “O advogado e a administração pública”.

 

Como citar o texto:

ROLLO, Alberto..Lula, a Índia e o Coronel. Boletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 3, nº 164. Disponível em https://www.boletimjuridico.com.br/artigos/cronicas/1035/lula-india-coronel. Acesso em 7 fev. 2006.