Teoria QUEER, sexualidade e dignidade da pessoa humana: ser minoria na maioria - Boletim Jurídico  

Browser não suportado!!!
Para melhor visualização, o Boletim Jurídico recomenda a utilização do Mozilla Firefox ou Google Chrome

 

 

Teoria QUEER, sexualidade e dignidade da pessoa humana: ser minoria na maioria

Resumo: O escopo do presente tem por finalidade analisar os tópicos históricos e analise das áreas envolvidas para o constructo da ideologia referenciadas a teoria queer, sexualidade e dignidade da pessoa humana, se encontrando como minoria dentro das minorias que a sociedade rotula, contando com a difícil implementação dessa idéia junto a sociedade, pela difícil aceitação ao disfórico sexual. Além disso, tem-se um grande relevante taxativo conceito em que todos se baseiam desde os primórdios, o conceito a unificação da sexualidade, esta imposta e seguida por todos mesmo aqueles que são inseridos ao meio, sendo educados e treinados a seguirem parâmetros passados de geração em geração, por muitos mumificando seus corpos, conceitos, ideologia e suas próprias identidades. Dessa forma ante ao que fere os direitos naturais do indivíduo, busca a quebra de tabus para a vivencia digna sem interferência de preceitos predestinados a tudo aquilo que se acredita, mostrando a todos o questionamento e os direitos de pensar. A necessidade inclusiva de novos conceitos, modo de vida, e aceitabilidade das diversidades de gênero. Formas de como inserir novos conceitos sem ferir a dignidade e direito naturais dos indivíduos estes que são componentes na sociedade.

Palavras-chave: Teoria Queer. Pluralidade Sexual. Dignidade da Pessoa Humana.

 

INTRODUÇÃO

O estudo da teoria queer passa a ser ancho e grandioso referenciado a padronização social relacionadas aos gêneros, esses que para a heteronormatividade são enquadrados apenas dois, o masculino e o feminino. Teóricos queer buscam a quebra desse paradigma incessante pela pluralidade sexual vivida no dia a dia, há necessidade de deixar que outras formas de vivencia se juntem aos demais para poder através dessa miscigenação construir uma sociedade preparada para educar, de forma que fuja aos preceitos impostos desde o nascimento de um novo integrante do âmbito social.

A teoria queer busca resguardar os direitos dos indivíduos por seus direitos naturais, aqueles que são unicamente indivisíveis, quebrando a performatização e os moldes efetivos existentes, dando a todos os direitos legalmente iguais em que todos respeitem a liberdade corporal, de vida ou modo de se apresentarem, tanto fisicamente como intelectualmente perante a todos. Marcos históricos demarcados no decorrer do tempo, entende-se que a muitos anos as classes que sofrem esses preconceitos buscam o reconhecimento da igualdade perante aos que ela repugnam, buscam recognição da forma de vida que deseja viver. O homem não ser obrigado pelo fato de ter nascido homem tendo que sempre mostrar que é viril, como as mulheres não tendo de ser delicada, e não esquecendo daqueles que já não reconhecem sua verdadeira identidade de gênero e orientação sexual.

No tocante existem teóricos e pesquisadores que estão em conflito incessante para a igualdade a aqueles que são “Estranhos”, para boa parte da sociedade. Sendo necessário o reconhecimento de si em meio a sua minoria imposta pela normatividade predefinida. Neste sentido, na construção de gênero o indivíduo necessita da amplitude de conhecimento para a formação da sua identidade sexual voltada para os seus preceitos, gostos, formas de vida e sua arquitetura psicológica e física para ao instante que se vê da forma que deseja “estar” ou “ser”.

A existência de teóricos que sempre questionam a diversificação de gênero tentando entender aquilo que nos foi ensinado, Judith Butler (1990) questiona se o “sexo” é uma história ou se é algo material indiscutível. Estes debates e apontamentos sempre questionam o bem estar do indivíduo sobre a busca do entendimento dessas distancia para com o “estranho”, somente causa conseqüência a repudiar a esses que sofrem com isso.

O sofrimento psicológico daqueles que são minorizados tende a passar para sua aceitação, transtornos de personalidade dentre várias outras barreiras. No primeiro momento sua própria aceitação e após a aceitação daqueles que convivem no mesmo meio que essa pessoa. A aceitação desse indivíduo descaracterizado das normalidades imposta aprendidas.

 

1 TEORIA QUEER EM PAUTA: SER MINORIA NA MINORIA

As dissidências relacionadas aos estudos da Teoria Queer tem por unir as áreas Filosóficas, Antropológicas, Psicológicas, Educacionais, entre outras. O conflito social relacionado a esta espécie ao disfórico sexual como sendo uma palavra originária inglesa, a qual significa “estranho”, o que já indica uma crítica preconceituosa.

O surgimento do termo “Queer” tem seu surgimento a quatrocentos anos, passando a ser usado como forma de ofensa a homossexuais, travestis, transexuais ou qualquer indivíduo que não se enquadrem nos parâmetros cis-heterosexual. Esta teoria começa a ter ênfase por volta dos anos noventa com a publicação de “Problema de Gênero” com sua autora Judith Butler (1990). A partir da idealização desde um pensamento referencial a “Tecnologia de Gênero” de Tereza de Lauretis (1897) fomentou um assunto pertinente questionando que a construção de gênero se dava desde o nascimento como homem ou mulher. Tendo por entendimento que o queer são aqueles que narrados como fora do contexto idealizado.

É uma teoria de empoderamento dos corpos subalternos e não o empoderamento assimilacionista. O empoderamento que no faz fortes em nossas margens e ocupar os espaços com nossos corpos transviado. (PRECIADO, 2014, s.p.)

No Brasil o termo queer não é um pressuposto indagado para a classificação da minoria a que representa, não se descrevendo, dessa forma, aqueles que não se enquadram no processo da subalternização e normatização dos corpos, havendo de forma ao tratamento não como queer, mas sim “o viadinho”, “a sapatona” e “o traveco”. Neste segmento de exposição, acredita-se que possa construir uma teoria transviada que dê poder a esses que tem os corpos subalternos. Entendendo este termo “transviado e transviada” com uma suposição da mistura bem conceitual de sexualidade, identidade e gênero trans.

A natureza trans não se engloba a esse termo pela luta da distinção das diversas formas existentes neste meio, como mulheres trans, homens trans, dentro outros mais. Ao lado disso, existe uma ideia de que estes se sentem para como a normatividade impõe a forma de vida e comportamento, como aquele que compõe a sociedade deva se sentir. Já a teoria queer enfatiza que é um sistema de empoderar o âmbito social da subjetividade e não uma verdade biológica, não podendo ser negativa ou positiva aquilo que a percepção subjetiva de cada indivíduo tem para si.

A construção da identidade não pode ser dada por qualquer teoria ou paradigma mais pode ajudar a manifestação política, podendo, por meio disso, saber sua imposição e luta pelos direitos legais que lhe são outorgados.          “A representação do genero é a sua construção - e num sentido mais comum pode-se dizer que toda a arte e a cultura erudita ocidental são um registro da história dessa construção.” (LAURETIS, 1987, p.212-213).

Segundo dados do site Revista Forum (2015) tem por vista como ponto de partida nessas áreas o estudo das dissensões sexuais neste campo de pesquisa variado, contido por base relação de gênero da sexualidade ao ponto prático e discussão dentro de cada ciência para se ter o resultado e saber lidar com esta diversidade relacionada a heterorelatividade. Para que cada área possa repensar pressupostos oriundos relacionado à complexidade habitual em seus respectivos aspectos com intuito próximo a realidade a que está a estudar. 

Essa teoria questiona a formação da condição de vida e do saber recorridas do ocidente a partir de relações advindas diariamente de experiências de diversidade de gênero e sexualidade. A origem do movimento se deu aproximadamente há quarenta anos, passando a lutar pelos direitos e liberdade da diversidade sexual Exemplificando, o resultado da transformação cultural em prol da sexualidade e da diversidade. Assim, no ano de mil novecentos e setenta e três o “homossexualismo” deixou de ser considerado como patológico junto à Sociedade de Psiquiatria Americanas, deixando de ser considerado o ato homossexual como crime também.

Segundo Michel Foucault (1988), hoje o argumento político contemporâneo é em torno da vida humana, centralizada ao interesse do poder consequentemente relacionado a sexualidade dos indivíduos que à compõe. A distorção visional relacionada a diversidade sexual, dentro dela contida a LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero) mesmo ter saído da OMS (Organização Mundial da Saúde) deixando de ser patológico, com o grande alargamento noticiário estatisticamente relacionado ao AIDS/HIV (Deficiência do Sistema Imunológico), esse grupo passou a ser alvo de acusações como principais transmissores dessa doença, o que até os dias atuais aqueles que tem em si o preconceito e muitas das vezes a falta de conhecimento ainda os acusam.

 

2 TEORIA QUEER E DIREITOS SEXUAIS

Historicamente, o aumento da produtividade artística para o acesso de todos os indivíduos com intuito da mudança sociocultural relacionado ao regime da verdade não contendo somente a mudança do indivíduo, mas sim para alcance de todos a essa verdade, contará com a evolução da generalidade que compõe a sociedade, sendo necessário a viabilização e contato com pequenas coisas que todos poderão ter acesso como, música, livros, novelas, shows, entre outros.

O constructo social depende da evolução psíquica de todos os indivíduos, estes necessitam saber mais de diversos assuntos que são novidades e causam repulsa pelo medo do novo. A partir do momento em que fira o bem pessoal ao seu direito natural possa-se ter olhos diferentes para determinado assunto, é necessário primeiramente a educação e o aprendizado para que se entenda o que vem a propor, tendo com todas as mudanças a base primordial legal se adaptando as mudanças e conceitos que a teoria queer propõe. A defesa para a evolução social é necessária por muitos se vitimarem como sendo excluído socialmente o que por muitas vezes há a necessidade de entendimento, pois novo dá medo a aqueles que o desconhece.

Essas críticas da teoria queer contêm pontos como instituições sendo o último âmbito em que ela está relacionada, como exemplo a existência de espaços relacionados diretamente a essas pessoas que se enquadram nessa tentativa do constructo da pluralidade de gênero, a existência de escolas, bares, ruas, como bairros inteiros arquitetadas para esse público.

Segundo Foucault (1988), visibilidade das diversidades pelo que se entende ao regime da verdade não existe somente aquilo que é falado com as exposições das opiniões, mas também aquilo que se vê, sendo coerente ao poder disciplinar sociologicamente basilar as arquiteturas urbanistas e suas evoluções de mudanças cotidianas, como tentativa de enquadramento para a adaptação as mudanças da generalidade, como exemplo pode-se citar os banheiros que sempre seguiram um padrão básico contendo apenas aos dois gêneros femininos e masculinos, e nos dias atuais já há a adaptação de outros tipos para a adequação da diversidade sexual, aceitabilidade social e a unitarização para que se afaste o preconceito, economicamente mais viável para os estabelecimentos e com mensagens simplificadas a quem utilizá-los deixando o formalismo social de lado para o alargamento psicológico e aceitação das diferenças com essas mudanças.

Tantas mudanças têm como objetivo a transformação da estaticidade social para formação de indivíduos mais dóceis sem a taxatividade imposta pela sociedade em que o preconceito prioriza qualquer ação inicial.

Explicar as categorias fundacionais de sexo. gênero e desejo como efeitos de uma formação específica de poder supõe uma forma de investigação critica, a qual Foucault, reformulando Nietzsche. chamou de "genealogia". A crítica genealógica recusa-se a buscar as origens do gênero, a verdade íntima do desejo feminino, uma identidade sexual genuína ou autêntica que a repressão impede de ver; em vez disso, ela investiga as apostas políticas, designando como origem e causa categorias de identidade que, na verdade, são efeíros de instituições, práticas e discursos cujos pontos de origem são múltiplos e difusos. (BUTLER, 1990, s.p)

O ponto principal da problemática em que todas as áreas buscam o entendimento referente à naturalização dos gêneros presentes nos corpos de cada indivíduo, tentando mostrar não somente aquele que convive com suas diferenças sejam essas sexual, de identidade ou aceitabilidade, possa se aceitar do jeito que é, e a sociedade que os cercam enxergá-los como pessoas não pesando suas diferenças minoritárias. Através dessa filosofia a teoria queer busca preceitos contidos há muitos anos na filosofia ocidental o que se é chamado de Filosofia da Diferença, questionando a metafísica ocidental sendo como entendem a realidade pós-estruturalismo, perspectivando as coisas para se ter uma idéia diferente ao que se entende a filosofia da diferença, esta contrapõe posteriormente a filosofia da identidade oposicionando a natureza e a identidade buscando o entendimento de côo a transvaloração das coisas iriam se da no decorrer do tempo, quilo que você conheceu e poderá com o passar do tempo chamar por outro nome devido as mudanças ocorridas habitualmente no lapso temporal.

A teoria queer e a filosofia da diferença com intuito de mostrar as mudanças dos paradigmas sexuais de bissexual, transexual, homossexual, travestidas, entre tantas outras formas de gênero, ao subversal sexual procura a epistemologia e a cosmovisao buscando formas de mostrar os indivíduos atrav´s de seus estudos apresentados que possam olhar essas diferenças com outros olhos não levando em consideração os paradigmas heteronormativos impostos pela sociedade para enxergar a realidade diversificada que está a nossa volta.

Falando da diferença entre as pessoas não ao objejetivando ao um único paradigma de gênero sexual, trazendo uma filosofia de diferença estagnada em um saber vedado pelos princípios aprendido, transformando essas diferenças em suma indiferença sem a preocupação para com os outros que o rodeiam e convivem diariamente, fazendo com que fique ao seu subconsciente estático sem a vontade de reconhecer e aprender o novo daquilo que lhe é apresentado, seguindo um padrão imposto por muitos que se acham sustentados pela lei muitas vezes precária, e outros pela religião, esta que pela consecutividade temporal esta imposta à aberração herdadas de tempos que a heteronormatividade era ascensão divina. Outros meios de vida que não sejam como estes impõem, era por vários como penalidade a morte o que em alguns países ate os dias de hoje acontece. Ao tocante que se não encaixa no tipo idealizado este fere as normas e tem que ser penalizado. 

Quando se defende o que fere os preceitos aprendidos, esse padrão que não pode ser julgado e que somente este tem autonomia para deferir como cada individuo tem que se comportar trazendo a partir dos julgamentos contrapostos para a visão de uma gama de diversidade de gênero. Esta padronização passa a se degenerar substancialmente pelo entendimento e curiosidade vivencionais daqueles que pelos fatos apresentados buscam uma forma de entendimento que não fere seus princípios pessoais e morais, ultrapassando o binômio de diferença de identidade havendo a necessidade de uma identidade posta para convir sua diferença para com as demais. Não havendo como saber se há pontos referenciais se movimentando, evoluindo ou um ponto de vista intacto a observar as evoluções temporais relacionadas a sexualidade pressupondo a estaticidade padronizada a uma que deseja ser vista de forma diferente.

As episteme estática aceita que retire a rotulação do gênero a que se enquadrem, estar como mulher não quer dizer que obrigatoriamente será uma. A rotulação física esquematiza os princípios normativos trazendo uma diferença estática apesar de por muitos não sendo adeptos ao ser ou estar, mas sim do confortável perante a si, ao seu julgamento mostra que através da sua sexualidade e felicidade, após, a auto aceitação mostrar que tem a necessidade de mudar e desvelar essa mudança.

Há necessidade dessa pluralidade sexual não deixando que fique estacionada para que não se torne uma ideologia referencional, quando se trata das diversas formas em que cada indivíduo se enxerga para que estes possam entender e repassar essas diferenças que estão em debate ou frisadas em um determinado momento. Após o amplo entendimento do ser com o que este realmente sente que é, a convivência se torna mais encantadora para o aprofundamento cada vez mais encantadora para o aprofundamento cada vez mais ao intelecto referencial dessa diversidade.

A construção da identidade se da através do tempo, eis que pode através de uma experiência unir tudo que foi vivido, mudar o conceito construído para outro rumo e forma que se deseja viver não igualando para com os outros, passando da desigualdade a que se vivia e passa a ter pra si um problema com sua identidade. A partir desse ponto passa a desconstruir aquilo que era convicto e adoto outro tipo de forma vivacional para seu conforto psíquico.

Ao que se entende através da religião está ligada a todo ato que fora contrário aos ensinamentos divinos é contra e fere todos os princípios, através de sua rebeldia necessitando de uma estrutura para construção individual do gênero identitário. Quanto ao fato que se tem uma rebeldia para fugir dos conceitos de convicção impostos.

A força da representatividade de sua identidade deixando de se vê como desigual para com a rotulação daqueles que não se enquadram aos parâmetros, esses se identificam como excluídos e sofre com a repugnação, a primeiro momento sua o processo para sua auto aceitação define a grande caminhada e evolução psicológica, aos que o cercam. O pressuposto de se vê e aceitar-se como tal, a grande calamidade do não conhecimento referencial dói e afasta com repugnação imensurável. 

Segundo Judith Butler (1990), o empoderamento do termo consecudinário ao termo queer, o sujeito não é preexistente, ele esta sempre em processo evolutivo construtivo dos atos que constrói sua identidade de gênero. Este indivíduo se constrói e se desconstrói a todo instante sendo poroso e instável denotando um indivíduo com constructo performativo que tenta se achar a todo o momento em um determinado lugar.  

 

3 SEXUALIDADE, DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E O RECONHECIMENTO DE UMA TEORIA INCLUSIVA

Não sendo formal essa teoria, a partir de seu surgimento, os teóricos e filósofos que escreviam este assunto acabaram por se aceitarem ao serem apontados como coparticipantes dos estudos relacionados a esse meio com tão difícil aceitabilidade da sociedade, trazido a partir dessa ideologia e evolução social. Criado na década de oitenta para caracterizar o discurso de pânico relacionado a essas “aberrações” foi criado o conceito de Heterossexualidade Compulsória para referenciar que todos os indivíduos componentes da civilização sejam héteros.

Em mesmo caminho, foi criada Hétero Normatividade, cujo concepção estabelece que todas as pessoas devem ter um comportamento que denote ao modelo heterossexual mesmo que não tenha a prática sexual hétero. No tocante da Hétero Compulsividade segundo a teoria queer, as pessoas que não são héteros ou devem de ser estudados ou são doentes, no que tende a tentar achar a origem da homossexualidade, os teóricos contemporâneos descartam tal achismo pelo fato de ter por de trás disso a hétero normatividade, esses rejeitam pela fundamentação de um padrão desconhecido, descartando a idéia do “trauma de infância”, “alteração genética”, entre outros.

A linearidade imposta pelo pressuposto da hétero normatividade de que o que deve de seguir é aquilo que se é dado desde o nascimento ao que homem se nasceu com pênis deve obrigatoriamente ser “homem” se comportar como tal demonstrando sempre ser viril e a mulher por ter nascido com vagina tende a ser delicada, educada, e “treinada” para ser mulher, ser submissa, sempre a cuidar do lar e nunca se equiparar ao homem, para que assim possam se enquadrar aos padrões exigidos socialmente. A partir do momento em que há o surgimento de comportamento afeminado por parte do homem ou viril demais por parte da mulher isso incomoda e tarjado como aberração fugindo assim da linearidade relacional do corpo com o sexo, sendo isso que a teoria queer quer atacar e reivindicar de certa forma, não querendo que isso seja necessariamente uma coisa imposta concretizando um único gênero, transformando este conceito pelo fato da mudança psicológica no indivíduo, estes que tanto sofre nessa sobrevivência diária.

O queer seria o estudo “daqueles conhecimentos e daquelas práticas sociais que organizam a ‘sociedade’ como um todo, sexualizando heterossexualizando ou homossexualizando – corpos, desejos atos, identidades, relações sociais, conhecimentos, cultura e instituições sociais”. (SEIDMAN, 1996, p.13).

Judith Butler (1990) defende que o ato em que ao nascimento de uma criança, ao ser perguntado se é menino ou menina. Isto deve de ser abolido por não nascerem assim, não existindo essa distinção necessária, dando a essa criança o direito de construírem essa sexualidade da forma que quiserem. Com a perda de força da hétero compulsividade devido ao aumento do surgimento e da aceitação de diversos países referente a diversidade sexual, a teoria queer passou a ganhar espaço cada vez maior.

O tripé basilar na defesa da construção do indivíduo defendida por Foucault (1988) é constituído pelo regime de discurso, a prática do eu subjetivado e a Instituição, com linguagem de atos de fala para a construção sexual do ser, atacando as chaves que ainda trabalham com a heteronormatividade, defendendo sempre a idéia de que se um indivíduo se entende como homem deve se vestir como tal. Para contrapor essas idéias a teoria queer criou dois principais conceitos a perfomatividade compreendidos em atos diariamente que definira a sexualidade do indivíduo e a plasticidade descrevendo a questão de moldes para a formação sexual.

Por conta dessa padronização sexual as pessoas que não se encaixam nessa performacidade complexa passam a tentar e a mudar seu corpo através de atos cirúrgicos, não tendo condições financeiras para tal ato, já mostra esteticamente essa mudança física, mostrando através dessas mudanças a discursividade vivencional do meio que vive e deseja viver, abrindo parâmetros sexuais questionáveis do modo de vida subjetivo concomitante que foge aos discursos heteronormativos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Denota-se que há necessidade dos estudos relacionados a quebra do paradigma imposto. Desde a concepção para o ingresso a sociedade estática em seus preceitos já formaliza o surgimento daquele ser colocado em enquadramento de dois gêneros, masculinos e femininos. Teóricos e pesquisadores defendem que este ser ainda não tem sua identidade definida, estes apontam que é necessário ser despadronizado essa taxatividade para que o próprio indivíduo construa sua identidade ideológica.

A máxima heteronormativa instituindo os conceitos de comportamento e modo de vida precisa ser explorado e modificado. É notório que a mumificação dos parâmetros de gênero é herdada muitas vezes pela falta de conhecimento, medo de ferir a própria moral perante o meio social e pelas religiões, essas que repugnam tudo aquilo que não está contido nos textos bíblicos.

A teoria queer busca a quebra dos paradigmas petrificados para que outras formas de gênero se enquadrem e sejam aceitas por todos, denotando o quão psicologicamente isso seria bom para aqueles que sofrem com o desprezo ao fato do seu comportamento não condizer com os demais, se tornando necessária a formulação do individuo livre para fazer suas escolhas e assim construírem suas próprias identidades de gênero independente das demais.

É necessário que com a evolução social ao passar dos tempos as normas legais se enquadrem e evoluam junto a essas mudanças corriqueiras para a proteção daqueles que se sentem repugnados pelos demais, com intenção de uma construção social instável com direitos iguais para todos.

 

REFERÊNCIAS:

BUTLER, Judith. O conceito de gênero por Judith Butler: a questão da performatividade. Disponível: . Acesso: 28 fev. 2018.

BUTLER, Judith P. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Disponível: . Acesso: 26 fev. 2018.

LAURETIS, Tereza de. A tecnologia do gênero. Indiana University Press, 1987. Disponível: . Acesso: 01 mar. 2018.

PRECIADO, Paul. B. Ficção política encarnada, palestra no “Hay Festival”. Disponível: . Acesso: 27 mar. 2018.

FOUCAUTI, Michel. A história da sexualidade I: a vontade de saber. Ensaios de Gênero. Disponível: <https://ensaiosdegenero.wordpress.com/tag/michel-foucault/>. Acesso: 26 fev. 2018.

SEIDMAN, Steven. Queer Theory/Sociology. Malden: Blackwell, 1996. Disponível: . Acesso: 02 mar. 2018.

TEORIA Queer o que é isso? Revista Forum: portal eletrônico de noticias. 02 mar. 2018. Disponível: . Acesso: 26 fev. 2018.

Data da conclusão/última revisão: 3/3/2018

Envie sua colaboração

Bruna Medeiros Sobreira, Kamille Gabri Batorlazi, Maysson Azevedo Lacerda e Tauã Lima Verdan Rangel

Bruna Medeiros Sobreira: graduanda do Curso de Direito da Faculdade Metropolitana São Carlos (FAMESC) – Unidade Bom Jesus do Itabapoana

Kamille Gabri Batorlazi: graduanda do Curso de Direito da Faculdade Metropolitana São Carlos (FAMESC) – Unidade Bom Jesus do Itabapoana,

Maysson Azevedo Lacerda: graduando do Curso de Direito da Faculdade Metropolitana São Carlos (FAMESC) – Unidade Bom Jesus do Itabapoana

Tauã Lima Verdan Rangel: professor Orientador. Doutorando vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da UFF - Linha de Pesquisa: Conflitos Socioambientais, Rurais e Urbanos. Mestre em Ciências Jurídica e Sociais pela Universidade Federal Fluminense. Especialista em Práticas Processuais Civil, Penal e Trabalhista pelo Centro Universitário São Camilo-ES. Professor do Curso de Direito da Faculdade Metropolitana São Carlos.

* Trabalho vinculado ao Grupo de Pesquisa “Faces e Interfaces do Direito: Sociedade, Cultura e Interdisciplinaridade no Direito”.

Inserido em 07/03/2018

Parte integrante da Edição no 1512

Código da publicação: 4504

Citação deste artigo, segundo as normas da ABNT:

BARTOLAZ, Kamille Gabri, et al. Teoria QUEER, sexualidade e dignidade da pessoa humana: ser minoria na maioriaBoletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 13, no 1512. Disponível em: <https://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/artigo/4504/teoria-queer-sexualidade-dignidade-pessoa-humana-ser-minoria-maioria> Acesso em: 20  jun. 2018.

Comentários