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Portal Boletim Jurídico - ISSN 1807-9008 - Brasil, 22 de novembro de 2019

Pensando sobre a proteção e uso da língua nacional

 

Antônio de Jesus Trovão

 

A imprensa tem noticiado, recentemente acerca das diversas críticas feitas por lingüistas, escritores, atores e dramaturgos quanto ao uso indiscriminado de estrangeirismos na dia-a-dia da língua brasileira, fato esse que tem criado uma enorme distorção no interrelacionamento entre esses notáveis e a maioria da população, que sequer faz idéia do prejuízo que pedir um "Big Mac" pode fazer às raízes da cultura nacional.

Todavia, esta polêmica poderia muito bem esvanescer-se nas brumas do esquecimento, não fosse a intervenção muito propicia dos insignes legisladores brasileiros que tomaram para si a tarefa de regulamentar tal uso e costume, determinando a proibição do uso dos chamados estrangeirismos, inclusive com a possibilidade de aplicação de sanções apropriadas (leia-se multa e até impedimentos de ordem legal).

Ora, o que se argüi, na verdade, é se, de fato, a publicação de uma lei seria motivo mais que suficiente para impedir que as pessoas, cidadãos comuns e simples que constituem o povo brasileiro, deixariam, efetivamente, de valer-se de expressões que, ao longo de anos a fio, acabaram por incorporarem-se aos costumes cotidianos, tornando-se parte de seus comportamentos e de suas formas de pensar. Não podemos aceitar que a edição de uma lei possa por fim a algo que tem íntima proximidade aos efeitos da globalização não só econômica com também social que, tal um enorme vergalhão que invade e possui tudo que encontra pela frente.

Assim com não se pode exigir tal iniciativa do povo simples, também fica impossível que uma determinação legal dessa magnitude venha a ser observada por empresários em seus negócios e atividades mercantis. Expressões como "just in time", "back up", "hedge" e muitas outras já se tornaram parte da capacidade de sobrevivência corporativa da indústria nacional, de tal forma que sua retirada, por qualquer meio, pode até mesmo significar a quebra do sistema, ou, em conseqüência, sua instabilidade ante seus parceiros, fornecedores e competidores multinacionais.

Uma análise mais acurada do cenário descrito nos leva à crença de que soluções de caráter intervencionista são absolutamente inócuas para eventos culturais deste tipo. O que se precisa de fato é uma política educacional de longo prazo, estimulando a leitura e a conservação de nossa língua, criando novas gerações de jovens brasileiros que compreendam que a língua faz parte da cultura nacional, e por esta razão fundamental deve ser conservada como integrante do conjunto de elementos culturais indispensáveis à própria sobrevivência do povo e também da nação brasileira.

Trata-se, então, de um processo, longo, árduo e cujas dificuldades serão muito maiores, pelo menos de início, do que os resultados obtidos, mas que, sem dúvida alguma, renderão frutos eternos e plenos de cidadania, e consciência nacional, constituindo uma nova geração de pessoas muito mais aptas a compreenderem que a grandeza de uma nação não se faz apenas de ações mais sim de palavras e de palavras que são necessárias e úteis ao desenvolvimento e constituição de uma grande nação.

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Antônio de Jesus Trovão

Graduação em Administração de Empresas pela escola superior de administração de negócios (ESAN), campus de São Paulo - Pós-Graduação em Administração Estratégica pela mesma escola superior. atualmente cursando o quarto ano de direito na Universidade São Francisco - campus de São Paulo.Servidor Público Federal, lotado no Judiciário Trabalhista, junto aoTribunal Regional do Trabalho da Segunda Região (Primeira instância).
Email: Antonio.trovã[email protected]

Inserido em 23/03/2005

Parte integrante da Edição no 119

Código da publicação: 556

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Citação deste artigo, segundo as normas da ABNT:

TROVÃO, Antônio de Jesus. Pensando sobre a proteção e uso da língua nacionalBoletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 3, no 119. Disponível em: <https://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/artigo/556/pensando-protecao-uso-lingua-nacional> Acesso em: 22  nov. 2019.

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As opiniões retratadas neste artigo são expressões pessoais dos seus respectivos autores e não refletem a posição dos órgãos públicos ou demais instituições aos quais estejam ligados, tampouco do próprio BOLETIM JURÍDICO. As expressões baseiam-se no exercício do direito à manifestação do pensamento e de expressão, tendo por primordial função o fomento de atividades didáticas e acadêmicas, com vistas à produção e à disseminação do conhecimento jurídico.